Li hoje no Jornal de Negócios que uma empresa de aviação anunciou um pacote de medidas para reduzir o peso nos seus aviões e assim poupar nos combustíveis.
Uma dessas medidas, pasmem, é a exigência de que as suas hospedeiras emagreçam!!!
Sou só eu, ou mais alguém acha que isto não é normal?
Já estou a ver os anúncios de emprego desta companhia: "Companhia aérea admite hospedeiras. Requisitos - não pode pesar mais de 48kgs".
Mas o que é que passa pela cabeça das pessoas quando dizem estas coisas?
Andam a fumar ou a snifar alguma coisa e o produto é de má qualidade?
É que assim de repente é a única explicação que me ocorre.
Como é que é possível que uma empresa possa ter legitimidade para anunciar este tipo de medida?
Então uma pessoa agora para manter o seu emprego tem que deixar de comer?
A brilhante ideia da companhia aérea é a de premiar as hospedeiras e comissários de bordo que estejam em forma e dar-lhes a possibilidade de serem selecionados para o seu calendário anual.
Isto é verdadeiramente uma medida económica.
Pensem bem:
- Primeiro reduzem o peso nos aviões e poupam combustível.
- Segundo poupam dinheiro na contratação de modelos para o calendário anual e ainda o fazem como se fosse um prémio de consolação para os magrinhos.
- Terceiro e provavelmente foi esta será a consequência mais importante - passam a ter funcionários muito mais saudáveis, sem colesterol, diabetes e etc.. (Acho que eles não se lembraram desta, eu é que pensei no caso).
Já me estou a ver a concorrer a um anúncio de emprego e dizerem-me: ' Desculpe, mas você pesa 55kgs, portanto está fora de questão contratá-la. Até tem um bom curriculo e tirando o peso até servia...'.
Acho que arrancava os olhos à criatura que estivesse à minha frente.
Uma pessoa leva uma vida inteira a aprender a viver consigo, a aceitar-se tal como é e depois aparece um pseudo recrutador e diz-lhe que ai e tal e tem mais 5 ou 6 ou 7 kgs, que o requisito do anúncio.
Se hoje fosse dia 1 de Abril eu ia pensar que esta era uma belíssima mentira.
Infelizmente não é e isto é grave.
Esta é que era uma boa coisa para o sindicatos atacarem, não o facto de os funcionários do Jerónimo Martins terem trabalhado no dia 1 de Maio.
Viram? Só tenho pena que o meu blogue ainda não chegue às esferas sindicais.
Mas também, mesmo que chegasse o mais certo era acabarem com ele...
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
O Pingo Doce e o 1º de Maio
É o novo escândalo nacional.
O Pingo Doce OBRIGOU os seus funcionários a trabalharem no 1º de Maio e pior que isso fez uma promoção em que a partir de 100 euros de compras os clientes pagavam apenas 50% do valor total da factura.
ESCANDALOSO!!!
Note-se que eu estava a ser irónica, vocês é que não ouviram o tom do meu pensamento...
Eu realmente nunca tive veia de sindicalista e de cada vez que oiço os senhores sindicalistas a falar na televisão, fico ainda com menos veia.
Num país que está no estado deplorável em que este está, os sindicatos só reclamaram de os funcionários do Pingo Doce serem forçados a trabalhar no dia do Trabalhador.
Esqueceram-se da quantidade gigantesca de famílias que este mês vai comer melhor e ver os seus orçamentos um bocadinho menos apertados com esta iniciativa.
Pois eu achei fantástica a promoção e só tenho pena de não ter chegado a tempo de aproveitar.
Mas fazer compras a 50% dos preços que atualmente se praticam nos supermercados parece-me bastante aliciante.
Aposto o que quiserem que os senhores sindicalistas estavam nas manifestaçõezinhas da treta, que não alimentam ninguém e onde o dinheiro que gastam nos cartazes, transportes, etc, dava para alimentar umas tantas famílias, mas as suas empregadas estavam na fila dos Pingo Doce deste país a fazerem as comprinhas lá para casa. Sim que eles podem ser defensores dos trabalhadores, mas também comem.
Mais, já pensaram, os senhores sindicalistas que por este andar qualquer dia não há trabalhadores para defender?
E já pensaram os senhores trabalhadores, que ainda o são, que a quota do sindicato podia ser mais útil se fosse gasta no Pingo Doce?
Lamentável, para mim, não foi o facto de os funcionários do grupo Jerónimo Martins trabalharem no 1º de Maio. Eu também já trabalhei em muitos 1ºs de Maio e nunca me caiu nada, nunca me fez mal e enquanto funcionária por conta de outrém até foi benéfico, porque sendo feriado é pago a dobrar e dá sempre jeito...
Lamentável foi o facto de a miséria das pessoas as levar a destruir basicamente os supermercados e a entrar em conflito pelos produtos das prateleiras.
Lamentável foi ter sido necessária a intervenção da polícia e os feridos que resultaram de alguns desacatos.
Lamentável foi o negócio de aluguer de carrinhos que o "portuga" logo arranjou e que chegou, segundo li na net, a atingir o valor de 20€ por carrinho.
Lamentável foi a confusão, o esvaziar indiscriminado de prateleiras e o exagero de porcarias que me foi dado observar.
Eu que não sabia de nada quando cheguei de manhã para comprar o pão e aquelas coisinhas do dia-a-dia ao PD mais perto de mim até me assustei... Parecia que ia haver guerra e que a comida ia passar a ser racionada. O senhor que estava à minha frente tinha assim umas compras magnificas, coca-cola, chocolates, gelados, bolachas, enfim... Nada saudável ou de primeira necessidade.
Bom mesmo foi ver famílias a aproveitar para comprar fraldas para os bebés, papas, leites e outros bens de primeira necessidade, que provavelmente muitas vezes falham em muitos lares portugueses nesta altura.
Bom também para os funcionários do PD que este mês vão ter o recibo de ordenado um bocadinho mais composto com um feriadinho...
Nao acreditam? Experimentem tentar viver com um ordenado de 500€ e pensem lá se tudo o que vier em acréscimo não é bom...
Enquanto neste país os sindicatos continuarem a defender interesses do século dezanove e a usar palas nos olhos como os burros, as pessoas continuarem a ter falta de civismo e a ser contra tudo e todos, só pelo prazer de serem do contra, não vamos a lado nenhum.
O dia 1 de Maio é um dia como qualquer outro.
Ah e tal porque é o dia do Trabalhador.
Fantástico.
Nesse caso: Trabalhe-se.
Por este andar é aproveitar enquanto há...
O Pingo Doce OBRIGOU os seus funcionários a trabalharem no 1º de Maio e pior que isso fez uma promoção em que a partir de 100 euros de compras os clientes pagavam apenas 50% do valor total da factura.
ESCANDALOSO!!!
Note-se que eu estava a ser irónica, vocês é que não ouviram o tom do meu pensamento...
Eu realmente nunca tive veia de sindicalista e de cada vez que oiço os senhores sindicalistas a falar na televisão, fico ainda com menos veia.
Num país que está no estado deplorável em que este está, os sindicatos só reclamaram de os funcionários do Pingo Doce serem forçados a trabalhar no dia do Trabalhador.
Esqueceram-se da quantidade gigantesca de famílias que este mês vai comer melhor e ver os seus orçamentos um bocadinho menos apertados com esta iniciativa.
Pois eu achei fantástica a promoção e só tenho pena de não ter chegado a tempo de aproveitar.
Mas fazer compras a 50% dos preços que atualmente se praticam nos supermercados parece-me bastante aliciante.
Aposto o que quiserem que os senhores sindicalistas estavam nas manifestaçõezinhas da treta, que não alimentam ninguém e onde o dinheiro que gastam nos cartazes, transportes, etc, dava para alimentar umas tantas famílias, mas as suas empregadas estavam na fila dos Pingo Doce deste país a fazerem as comprinhas lá para casa. Sim que eles podem ser defensores dos trabalhadores, mas também comem.
Mais, já pensaram, os senhores sindicalistas que por este andar qualquer dia não há trabalhadores para defender?
E já pensaram os senhores trabalhadores, que ainda o são, que a quota do sindicato podia ser mais útil se fosse gasta no Pingo Doce?
Lamentável, para mim, não foi o facto de os funcionários do grupo Jerónimo Martins trabalharem no 1º de Maio. Eu também já trabalhei em muitos 1ºs de Maio e nunca me caiu nada, nunca me fez mal e enquanto funcionária por conta de outrém até foi benéfico, porque sendo feriado é pago a dobrar e dá sempre jeito...
Lamentável foi o facto de a miséria das pessoas as levar a destruir basicamente os supermercados e a entrar em conflito pelos produtos das prateleiras.
Lamentável foi ter sido necessária a intervenção da polícia e os feridos que resultaram de alguns desacatos.
Lamentável foi o negócio de aluguer de carrinhos que o "portuga" logo arranjou e que chegou, segundo li na net, a atingir o valor de 20€ por carrinho.
Lamentável foi a confusão, o esvaziar indiscriminado de prateleiras e o exagero de porcarias que me foi dado observar.
Eu que não sabia de nada quando cheguei de manhã para comprar o pão e aquelas coisinhas do dia-a-dia ao PD mais perto de mim até me assustei... Parecia que ia haver guerra e que a comida ia passar a ser racionada. O senhor que estava à minha frente tinha assim umas compras magnificas, coca-cola, chocolates, gelados, bolachas, enfim... Nada saudável ou de primeira necessidade.
Bom mesmo foi ver famílias a aproveitar para comprar fraldas para os bebés, papas, leites e outros bens de primeira necessidade, que provavelmente muitas vezes falham em muitos lares portugueses nesta altura.
Bom também para os funcionários do PD que este mês vão ter o recibo de ordenado um bocadinho mais composto com um feriadinho...
Nao acreditam? Experimentem tentar viver com um ordenado de 500€ e pensem lá se tudo o que vier em acréscimo não é bom...
Enquanto neste país os sindicatos continuarem a defender interesses do século dezanove e a usar palas nos olhos como os burros, as pessoas continuarem a ter falta de civismo e a ser contra tudo e todos, só pelo prazer de serem do contra, não vamos a lado nenhum.
O dia 1 de Maio é um dia como qualquer outro.
Ah e tal porque é o dia do Trabalhador.
Fantástico.
Nesse caso: Trabalhe-se.
Por este andar é aproveitar enquanto há...
quarta-feira, 25 de abril de 2012
25 de Abril de 1974
Eu tinha sete anos no dia 25 de Abril de 1974.
Andava na 2ª classe e recordo-me de acordar e ouvir os aviões da Base Aérea de Alverca a sobrevoarem a minha casa.
- Oh mãe, o que é que se passa?
- É a guerra, vão levar tudo...
Tudo? Ai, os meus brinquedos, pensei eu. Lembro-me tão bem.
Sempre fui muito ciosa das minhas propriedades, que na altura se limitavam a tachinhos, panelinhas, alguidares, chávenas, pratos, etc. Tinha um saco enorme cheio de tralha que o meu padrinho me trazia da fábrica do Omo, onde trabalhava.
O Omo, para os mais novos, era um detergente em pó para lavar roupa à mão, numa altura em que poucas pessoas tinham máquina de lavar roupa, e que trazia uns brindes nos pacotes. Normalmente uns brinquedos em plástico, de que eu tinha assim uma quantidade industrial.
Lembro-me particularmente de uma balança daquelas antigas com dois pratos que eu adorava de paixão. Sempre fui muito ligada à cozinha...
Pensando na tal "guerra", (a minha mãe ainda é mais dramática que eu), resolvi tomar medidas drásticas.
Abri um buraco no quintal e tratei de pôr as minhas coisas a salvo. Meti todos os meus pequenos brinquedos, na verdade e pensando bem no assunto, os meus primeiros utensílios de cozinha, no buraco e tapei-os novamente.
"Podem levar tudo, menos as minhas coisas", pensei.
Lembro-me tão bem.
Arranjei-me e fui para a escola, de onde voltei recambiada e contrariada, para casa, porque havia uma revolução, palavra desconhecida para mim, e portanto nada de aulas.
Depois lembro-me das músicas na televisão, o "Grândola Vila Morena", "Depois do Adeus", uma de que não sei o nome mas que tinha uma estrofe: "Vi as portas da prisão abertas de par em par, vi passar a procissão do meu país a cantar, agora o povo unido, nunca mais será vencido...". As coisas de que me lembro. O meu disco rígido é ilimitado para estas porcarias...
Aos poucos fui adquirindo outros conhecimentos sobre o dia em que não tive escola e percebendo a importância que isso tinha para as pessoas, para o país.
Aos sete anos a perspectiva de um país mais livre não me dizia grande coisa. Lamento, mas os meus brinquedos eram muito mais importantes para mim.
Anos mais tarde, por volta dos anos oitenta, na altura em que Portugal descobriu as marquises, uma coisa que nunca devia ter sido inventada, de tão feia que é, os meus pais, sempre muito atualizados nestas coisas, também construiram a sua marquise.
Onde?
Exatamente por cima dos meus brinquedos que ainda estavam enterrados onde os escondi para os proteger da "guerra" e onde ainda hoje estão.
Imaginem daqui a uns milhares de anos, as civilizações futuras a procederem a escavações naquele sítio e as notícias das descobertas: "No século vinte as pessoas eram minúsculas. Vejam o tamanho dos seus utensílios de cozinha". E tudo por culpa de uma cachopa dramática que resolveu proteger de forma radical as suas preciosas propriedades.
E já agora ficam a saber que continuo tão dramática como era no dia 25 de Abril de 1974.
Andava na 2ª classe e recordo-me de acordar e ouvir os aviões da Base Aérea de Alverca a sobrevoarem a minha casa.
- Oh mãe, o que é que se passa?
- É a guerra, vão levar tudo...
Tudo? Ai, os meus brinquedos, pensei eu. Lembro-me tão bem.
Sempre fui muito ciosa das minhas propriedades, que na altura se limitavam a tachinhos, panelinhas, alguidares, chávenas, pratos, etc. Tinha um saco enorme cheio de tralha que o meu padrinho me trazia da fábrica do Omo, onde trabalhava.
O Omo, para os mais novos, era um detergente em pó para lavar roupa à mão, numa altura em que poucas pessoas tinham máquina de lavar roupa, e que trazia uns brindes nos pacotes. Normalmente uns brinquedos em plástico, de que eu tinha assim uma quantidade industrial.
Lembro-me particularmente de uma balança daquelas antigas com dois pratos que eu adorava de paixão. Sempre fui muito ligada à cozinha...
Pensando na tal "guerra", (a minha mãe ainda é mais dramática que eu), resolvi tomar medidas drásticas.
Abri um buraco no quintal e tratei de pôr as minhas coisas a salvo. Meti todos os meus pequenos brinquedos, na verdade e pensando bem no assunto, os meus primeiros utensílios de cozinha, no buraco e tapei-os novamente.
"Podem levar tudo, menos as minhas coisas", pensei.
Lembro-me tão bem.
Arranjei-me e fui para a escola, de onde voltei recambiada e contrariada, para casa, porque havia uma revolução, palavra desconhecida para mim, e portanto nada de aulas.
Depois lembro-me das músicas na televisão, o "Grândola Vila Morena", "Depois do Adeus", uma de que não sei o nome mas que tinha uma estrofe: "Vi as portas da prisão abertas de par em par, vi passar a procissão do meu país a cantar, agora o povo unido, nunca mais será vencido...". As coisas de que me lembro. O meu disco rígido é ilimitado para estas porcarias...
Aos poucos fui adquirindo outros conhecimentos sobre o dia em que não tive escola e percebendo a importância que isso tinha para as pessoas, para o país.
Aos sete anos a perspectiva de um país mais livre não me dizia grande coisa. Lamento, mas os meus brinquedos eram muito mais importantes para mim.
Anos mais tarde, por volta dos anos oitenta, na altura em que Portugal descobriu as marquises, uma coisa que nunca devia ter sido inventada, de tão feia que é, os meus pais, sempre muito atualizados nestas coisas, também construiram a sua marquise.
Onde?
Exatamente por cima dos meus brinquedos que ainda estavam enterrados onde os escondi para os proteger da "guerra" e onde ainda hoje estão.
Imaginem daqui a uns milhares de anos, as civilizações futuras a procederem a escavações naquele sítio e as notícias das descobertas: "No século vinte as pessoas eram minúsculas. Vejam o tamanho dos seus utensílios de cozinha". E tudo por culpa de uma cachopa dramática que resolveu proteger de forma radical as suas preciosas propriedades.
E já agora ficam a saber que continuo tão dramática como era no dia 25 de Abril de 1974.
O que aprendi com as minhas filhas?
É daquelas perguntas que nunca tinha colocado a mim mesma.
Mas hoje estava a ler um artigo na revista Activa onde a questão é colocada e fiquei a pensar no assunto.
O que aprendi com as minhas filhas?
Acima de tudo aprendi a amar incondicionalmente. Aprendi que o bem estar, a felicidade, o sorriso das minhas filhas são as coisas mais importantes do mundo para mim.
Lembro-me do dia em que nasceram e olhei para elas pela primeira vez e senti o coração tão cheio de um sentimento tão novo.
E lembro-me de sentir um medo enorme que dura até hoje.
Medo de não conseguir, de não ser suficiente, de não ser boa mãe, de não me amarem como eu as amo a elas, de... tudo!!!
As mães têm medo de tudo. É uma coisa horrivel, que não se consegue controlar e que nos leva a fazer coisas que nos parecem depois completamente ridiculas.
Eu tenho algumas dessas coisas que as minhas filhas me recordam de vez em quando entre gargalhadas de puro gozo com os meus medos.
"Oh mãe, és tão dramática".
Pois sou. Muito dramática mesmo. É uma tragédia, mas infelizmente para as três não há nada que eu possa fazer para evitar. É assim uma daquelas coisas que eu vou levar comigo para o forno (eu quero ser cremada quando morrer, por isso não posso dizer para a cova...).
Voltando ao que aprendi com elas...
Aprendi que posso ser uma pessoa muito obcecada. O meu instinto animal, como elas dizem, é verdadeiramente selvagem, quando alguém se mete com as minhas loiras.
Não há nada a fazer, instinto animal e amor e medo maternal são uma mistura explosiva.
Aprendi que sou muito teimosa... A mais nova tem muita coisa de feitio em comum comigo e, se por isso, muitas vezes percebo bem as reações dela, também percebo o quanto posso exasperar as pessoas.
Aprendi que posso ser capaz de matar alguém que as faça sofrer e odiar pessoas de paixão.
Aprendi que estou sempre desactualizada em termos musicais: "Tu só ouves as músicas da M80". É mentira, ouço outras coisas, mas nada que elas considerem música.
Aprendi que a cumplicidade entre as duas acaba sempre por se virar contra mim. Em caso de dúvida estamos as duas contra a mãe.
Aprendi que sou capaz de controlar muita coisa em mim para as proteger.
Aprendi que posso comer pizza para lhes fazer companhia.
Aprendi a viver com barulho e passei a adorar ter os amigos delas em casa para as ter mais ao pé de mim. E que gosto genuinamente deles e que nem todos os adolescentes são "rascas". Alguns até são miúdos fantásticos.
Aprendi que ser mãe significa deixar crescer, largar, que cortar o cortão umbilical não é coisa do momento do parto, mas sim uma coisa para a vida. Todos os dias cortamos um bocadinho. E todos os dias dói, mas também nos dá uma enorme sensação de orgulho. É que cada corte significa que elas cresceram mais um bocadinho.
Aprendi o que é ter alguém dentro de nós durante nove meses em que me senti tão feliz e completa e de repente a sensação de vazio quando elas nasceram.
Aprendi a lidar com namorados, amigos, professores, pais dos amigos, festivais de verão, férias com os amigos, medo...
Aprendi tanto com as minhas filhas. Aprendo todos os dias e desejo muito que elas também aprendam comigo. Mas isso só elas poderão dizer.
E isto foi outra coisa que aprendi, a sentir-me sempre na dúvida. Será que estou a fazer isto bem?
Resumindo: Amor, orgulho, dúvida, respeito, proteção, crescimento, apendizagem, vida. Tudo isto as minhas filhas me ensinam todos os dias.
E esta aprendizagem ainda mal começou...
Porque isto de ser mãe é coisa para durar até ao forno!
Mas hoje estava a ler um artigo na revista Activa onde a questão é colocada e fiquei a pensar no assunto.
O que aprendi com as minhas filhas?
Acima de tudo aprendi a amar incondicionalmente. Aprendi que o bem estar, a felicidade, o sorriso das minhas filhas são as coisas mais importantes do mundo para mim.
Lembro-me do dia em que nasceram e olhei para elas pela primeira vez e senti o coração tão cheio de um sentimento tão novo.
E lembro-me de sentir um medo enorme que dura até hoje.
Medo de não conseguir, de não ser suficiente, de não ser boa mãe, de não me amarem como eu as amo a elas, de... tudo!!!
As mães têm medo de tudo. É uma coisa horrivel, que não se consegue controlar e que nos leva a fazer coisas que nos parecem depois completamente ridiculas.
Eu tenho algumas dessas coisas que as minhas filhas me recordam de vez em quando entre gargalhadas de puro gozo com os meus medos.
"Oh mãe, és tão dramática".
Pois sou. Muito dramática mesmo. É uma tragédia, mas infelizmente para as três não há nada que eu possa fazer para evitar. É assim uma daquelas coisas que eu vou levar comigo para o forno (eu quero ser cremada quando morrer, por isso não posso dizer para a cova...).
Voltando ao que aprendi com elas...
Aprendi que posso ser uma pessoa muito obcecada. O meu instinto animal, como elas dizem, é verdadeiramente selvagem, quando alguém se mete com as minhas loiras.
Não há nada a fazer, instinto animal e amor e medo maternal são uma mistura explosiva.
Aprendi que sou muito teimosa... A mais nova tem muita coisa de feitio em comum comigo e, se por isso, muitas vezes percebo bem as reações dela, também percebo o quanto posso exasperar as pessoas.
Aprendi que posso ser capaz de matar alguém que as faça sofrer e odiar pessoas de paixão.
Aprendi que estou sempre desactualizada em termos musicais: "Tu só ouves as músicas da M80". É mentira, ouço outras coisas, mas nada que elas considerem música.
Aprendi que a cumplicidade entre as duas acaba sempre por se virar contra mim. Em caso de dúvida estamos as duas contra a mãe.
Aprendi que sou capaz de controlar muita coisa em mim para as proteger.
Aprendi que posso comer pizza para lhes fazer companhia.
Aprendi a viver com barulho e passei a adorar ter os amigos delas em casa para as ter mais ao pé de mim. E que gosto genuinamente deles e que nem todos os adolescentes são "rascas". Alguns até são miúdos fantásticos.
Aprendi que ser mãe significa deixar crescer, largar, que cortar o cortão umbilical não é coisa do momento do parto, mas sim uma coisa para a vida. Todos os dias cortamos um bocadinho. E todos os dias dói, mas também nos dá uma enorme sensação de orgulho. É que cada corte significa que elas cresceram mais um bocadinho.
Aprendi o que é ter alguém dentro de nós durante nove meses em que me senti tão feliz e completa e de repente a sensação de vazio quando elas nasceram.
Aprendi a lidar com namorados, amigos, professores, pais dos amigos, festivais de verão, férias com os amigos, medo...
Aprendi tanto com as minhas filhas. Aprendo todos os dias e desejo muito que elas também aprendam comigo. Mas isso só elas poderão dizer.
E isto foi outra coisa que aprendi, a sentir-me sempre na dúvida. Será que estou a fazer isto bem?
Resumindo: Amor, orgulho, dúvida, respeito, proteção, crescimento, apendizagem, vida. Tudo isto as minhas filhas me ensinam todos os dias.
E esta aprendizagem ainda mal começou...
Porque isto de ser mãe é coisa para durar até ao forno!
segunda-feira, 26 de março de 2012
Pedro Passos Coelho
"Quem anda sempre com um martelo na mão, tudo lhe parece um prego..."
A frase é de Pedro Passos Coelho no último congresso do PSD este fim de semana. Eu até acho, embora não tenha votado nele, que o atual primeiro ministro é um homem inteligente. Embora tenha que confessar que começo a ter as minhas dúvidas.
Senão vejamos:
Para que Portugal possa voltar aos mercados é necessário que sejam cumpridas todas as condições impostas pela Troika. Até aqui tudo bem, ou melhor tudo mal, que isto começa a ficar cada vez mais difícil comer, vestir, calçar e manter os filhos na escola, enquanto se continuam a pagar impostos e empréstimos de casas e carros...
Agora as medidas, acho eu, deviam ser no sentido de fazer crescer a economia de Portugal. Não é verdade?
Ora se as empresas não aguentam os impostos e continuam a mandar trabalhadores para o desemprego, que por sua vez perdem poder de compra e deixam de pagar impostos...
Se não se consome, não se produz, se não se produz não se pagam impostos, se não se pagam impostos... Já perceberam?
Pois parece que o senhor Passos Coelho que é tão inteligente (e bem apessoado, como se diz na minha terra) só agora começa a perceber esta coisa tão básica e elementar.
Na semana passada o governo anunciou uma quebra de não sei quantos milhões na cobrança de impostos. Resultado, claro está do enorme crescimento do desemprego que já vai para aí nos 14% e com tendência a subir...
Sr. primeiro ministro não me diga que não tinha previsto que uma coisa tão básica e tão óbvia até para mim que sempre fui uma nódoa a fazer contas, ia interferir com os planos de cumprimento das metas impostas pela troika.
E já agora, tão ou mais grave ainda, será que os senhores do FMI também não tinham percebido isso?
Basta olhar para o exemplo da Grécia...
Indo pelo trocadilho fácil - Estão-se a ver gregos com a crise!!!
Comece mas é a pensar em fazer novas continhas à sua e à nossa vida, senhor primeiro ministro.
E não se esqueça de incluir na sua equaçãozinha, de segundo ou de terceiro grau, ou seja lá qual for o grau, que as pessoas para além dos impostos, também têm que comer, vestir, calçar e continuar a ter dinheiro para o basico. Sim porque enquanto os seus antecessores andaram a brincar com o nosso dinheiro, não nos pergutaram se estávamos de acordo. E convenhamos não foi o povo que pôs o país no estado em que está. Porque é que temos que ser nós a pagar? Porque é que ninguém vai pedir contas ao Pinóquio, também conhecido por Engº Sócrates?
Porque é que o cobarde maior deste pequeno país à beira mar plantado pode continuar impunemente em Paris, a fazer um pseudo-curso de filosofia (devia ser era de roubo e extorsão, mas aí, claro ele já tem um mestrado), e nós temos que continuar aqui a levar com as consequências das asneiras dele?
Mas será que aquele desgraçado não pode escorregar numa baguete bem barrada com manteiga e partir qualquer coisinha? Tipo a língua, ou o nariz, ou o cóccix, o que iria lixar-lhe a vida por muito tempo.
Porque sabem que ele... Ninguém nunca provou nada, mas eu aposto que é verdade.
Estes políticos são mesmo uns escroques. Primeiro o bochechas, depois o algarvio cínico e cobarde, depois o Pinóquio e vamos ver como se sai o atual.
A minha opinião?
CAMBADA!!! Deviam obrigá-los a viver com o salário mínimo durante um mês para verem se eram capazes.
Eu por mim bem sei o tratamento que lhes dava.
Ferro 7!!!!
A frase é de Pedro Passos Coelho no último congresso do PSD este fim de semana. Eu até acho, embora não tenha votado nele, que o atual primeiro ministro é um homem inteligente. Embora tenha que confessar que começo a ter as minhas dúvidas.
Senão vejamos:
Para que Portugal possa voltar aos mercados é necessário que sejam cumpridas todas as condições impostas pela Troika. Até aqui tudo bem, ou melhor tudo mal, que isto começa a ficar cada vez mais difícil comer, vestir, calçar e manter os filhos na escola, enquanto se continuam a pagar impostos e empréstimos de casas e carros...
Agora as medidas, acho eu, deviam ser no sentido de fazer crescer a economia de Portugal. Não é verdade?
Ora se as empresas não aguentam os impostos e continuam a mandar trabalhadores para o desemprego, que por sua vez perdem poder de compra e deixam de pagar impostos...
Se não se consome, não se produz, se não se produz não se pagam impostos, se não se pagam impostos... Já perceberam?
Pois parece que o senhor Passos Coelho que é tão inteligente (e bem apessoado, como se diz na minha terra) só agora começa a perceber esta coisa tão básica e elementar.
Na semana passada o governo anunciou uma quebra de não sei quantos milhões na cobrança de impostos. Resultado, claro está do enorme crescimento do desemprego que já vai para aí nos 14% e com tendência a subir...
Sr. primeiro ministro não me diga que não tinha previsto que uma coisa tão básica e tão óbvia até para mim que sempre fui uma nódoa a fazer contas, ia interferir com os planos de cumprimento das metas impostas pela troika.
E já agora, tão ou mais grave ainda, será que os senhores do FMI também não tinham percebido isso?
Basta olhar para o exemplo da Grécia...
Indo pelo trocadilho fácil - Estão-se a ver gregos com a crise!!!
Comece mas é a pensar em fazer novas continhas à sua e à nossa vida, senhor primeiro ministro.
E não se esqueça de incluir na sua equaçãozinha, de segundo ou de terceiro grau, ou seja lá qual for o grau, que as pessoas para além dos impostos, também têm que comer, vestir, calçar e continuar a ter dinheiro para o basico. Sim porque enquanto os seus antecessores andaram a brincar com o nosso dinheiro, não nos pergutaram se estávamos de acordo. E convenhamos não foi o povo que pôs o país no estado em que está. Porque é que temos que ser nós a pagar? Porque é que ninguém vai pedir contas ao Pinóquio, também conhecido por Engº Sócrates?
Porque é que o cobarde maior deste pequeno país à beira mar plantado pode continuar impunemente em Paris, a fazer um pseudo-curso de filosofia (devia ser era de roubo e extorsão, mas aí, claro ele já tem um mestrado), e nós temos que continuar aqui a levar com as consequências das asneiras dele?
Mas será que aquele desgraçado não pode escorregar numa baguete bem barrada com manteiga e partir qualquer coisinha? Tipo a língua, ou o nariz, ou o cóccix, o que iria lixar-lhe a vida por muito tempo.
Porque sabem que ele... Ninguém nunca provou nada, mas eu aposto que é verdade.
Estes políticos são mesmo uns escroques. Primeiro o bochechas, depois o algarvio cínico e cobarde, depois o Pinóquio e vamos ver como se sai o atual.
A minha opinião?
CAMBADA!!! Deviam obrigá-los a viver com o salário mínimo durante um mês para verem se eram capazes.
Eu por mim bem sei o tratamento que lhes dava.
Ferro 7!!!!
quinta-feira, 22 de março de 2012
As coisas que me fazem confusão
Faz-me confusão que as pessoas não atravessem nas passadeiras e simplesmente se ponham a "tourear" os carros no meio da rua, passando devagar, sem olhar e se temos a ousadia de lhes apitar, ainda olhem com ar recriminador. Até já me insultaram, acreditem ou não. Mas também não pensem que eu me calei...
Faz-me confusão que hoje em dia toda a gente estacione, como se diz na minha terra "a torto e a direito", sem pensar nas consequências que isso pode ter para os outros. Mais me espanta que sempre que eu chamo a atenção das pessoas (a frase que circula no facebook - estupidez não é deficiência já eu usei há muito tempo atrás ), ainda me insultem e falem como se estivessem carregadinhos de razão.
Faz-me confusão que ninguém seja capaz de levantar um dedo para defender alguém. As pessoas passam na rua, podem ver alguém a ser esfaqueado e ninguém diz nada, ninguém faz nada, ninguém quer saber...
Faz-me confusão que se use a crise como desculpa para quase tudo: conduzir mal, estacionar pior, atravessar fora do sítio, ser mal educado com toda a gente, não dizer se faz favor, com licença, desculpe e muito obrigado.
Faz-me confusão que os frequentadores dos sites só façam comentários negativos às coisas, só tenham coisas más para dizer e destilem o seu veneno e frustrações em cima de pessoas que nem conhecem.
Faz-me confusão que o meu vizinho de cima não ponha protecções nos pés das cadeiras e faça uma barulheira terrível todos os dias. Ou então muda os móveis de sítio a toda a hora.
Faz-me confusão que o carteiro aqui da zona nunca se digne tocar a campaínha e me obrigue a ir a toda a hora aos correios para levantar correpsondência registada.
Faz-me confusão que as senhoras de idade que frequentam o supermercado ao pé da minha casa achem sempre que estão com mais pressa do que eu...
Faz-me confusão que um bando de miúdos semi-adolescentes, mais para o lado do criança estejam na rua a enrolar charros e ninguém faça nada. Mas toda a gente se insurgiu contra o Toy por acender um pseudo charro na televisão.
Faz-me confusão que a Câmara de Santarém não tenha dinheiro para comprar uma latinha de tinta para pintar as passadeiras desta terra que estão praticamente invisiveis.
Faz-me confusão que a passadeira mais perto da minha casa tenha origem ou fim, dependendo do ponto de vista num muro ondem nem sequer existe passeio.
Faz-me confusão que as finanças nos possam roubar descaradamente e que não tenhamos hipótese de refilar. Quer dizer, eu refilo, mas não adianta nada. Só desabafo.
Faz-me confusão que as pessoas gritem com os filhos na rua ou em locais públicos e mais ainda que cheguem ao cúmulo de lhes bater.
Faz-me confusão que toda a gente precise de uma Bimby para cozinhar.
Faz-me confusão não gostar de chocolate que toda a gente diz ser uma coisa maravilhosa.
Faz-me confusão que a minha gata tenha uma carrada de brinquedos e goste mais de elásticos de cabelo e de uma moeda de vinte cêntimos que roubou de cima da minha secretária.
Faz-me confusão que as pessoas se preocupem mais com a vida dos outros do que com as suas próprias vidas.
Faz-me confusão que toda a gente se queixe de não ter dinheiro mas continue a andar de carro para todo o lado e os restaurantes mais caros continuem cheios e que continuem as filas na Segunda Circular na hora de ponta e os aviões continuem cheios.
Faz-me mais confusão ainda que pessoas que quase não têm dinheiro para comer não sejam capazes de abdicar de fumar, que é um verdadeiro vício de luxo, hoje em dia.
Faz-me confusão que os miúdos hoje em dia precisem de beber para se divertirem.
Faz-me confusão que os pais não eduquem os filhos e depois se queixem de que eles são malcriados e culpem as escolas disso.
Faz-me confusão que alguns pais se divorciem em simultâneo das mulheres e dos filhos, como se eles não fossem também do seu sangue.
Faz-me confusão ouvir as mulheres dizerem: "O meu marido não passa tempo comigo, nunca me leva a lado nenhum, não faz nada pela nossa relação..." E elas fazem? Ou simplesmente não têm vida própria e limitam-se a viver as vidas dos maridos?
Faz-me confusão que as pessoas não façam nada por elas e depois se queixem a toda a hora.
Faz-me confusão que uma mulher que seja vitima de agressão continue a viver com o seu agressor.
Faz-me confusão que as pessoas maltratem as crianças e mais ainda, ao nível do nojo, a pedofilia.
Faz-me muita confusão que os pais sejam capazes de torturar e matar um filho.
Tanta coisa...
Faz-me confusão que hoje em dia toda a gente estacione, como se diz na minha terra "a torto e a direito", sem pensar nas consequências que isso pode ter para os outros. Mais me espanta que sempre que eu chamo a atenção das pessoas (a frase que circula no facebook - estupidez não é deficiência já eu usei há muito tempo atrás ), ainda me insultem e falem como se estivessem carregadinhos de razão.
Faz-me confusão que ninguém seja capaz de levantar um dedo para defender alguém. As pessoas passam na rua, podem ver alguém a ser esfaqueado e ninguém diz nada, ninguém faz nada, ninguém quer saber...
Faz-me confusão que se use a crise como desculpa para quase tudo: conduzir mal, estacionar pior, atravessar fora do sítio, ser mal educado com toda a gente, não dizer se faz favor, com licença, desculpe e muito obrigado.
Faz-me confusão que os frequentadores dos sites só façam comentários negativos às coisas, só tenham coisas más para dizer e destilem o seu veneno e frustrações em cima de pessoas que nem conhecem.
Faz-me confusão que o meu vizinho de cima não ponha protecções nos pés das cadeiras e faça uma barulheira terrível todos os dias. Ou então muda os móveis de sítio a toda a hora.
Faz-me confusão que o carteiro aqui da zona nunca se digne tocar a campaínha e me obrigue a ir a toda a hora aos correios para levantar correpsondência registada.
Faz-me confusão que as senhoras de idade que frequentam o supermercado ao pé da minha casa achem sempre que estão com mais pressa do que eu...
Faz-me confusão que um bando de miúdos semi-adolescentes, mais para o lado do criança estejam na rua a enrolar charros e ninguém faça nada. Mas toda a gente se insurgiu contra o Toy por acender um pseudo charro na televisão.
Faz-me confusão que a Câmara de Santarém não tenha dinheiro para comprar uma latinha de tinta para pintar as passadeiras desta terra que estão praticamente invisiveis.
Faz-me confusão que a passadeira mais perto da minha casa tenha origem ou fim, dependendo do ponto de vista num muro ondem nem sequer existe passeio.
Faz-me confusão que as finanças nos possam roubar descaradamente e que não tenhamos hipótese de refilar. Quer dizer, eu refilo, mas não adianta nada. Só desabafo.
Faz-me confusão que as pessoas gritem com os filhos na rua ou em locais públicos e mais ainda que cheguem ao cúmulo de lhes bater.
Faz-me confusão que toda a gente precise de uma Bimby para cozinhar.
Faz-me confusão não gostar de chocolate que toda a gente diz ser uma coisa maravilhosa.
Faz-me confusão que a minha gata tenha uma carrada de brinquedos e goste mais de elásticos de cabelo e de uma moeda de vinte cêntimos que roubou de cima da minha secretária.
Faz-me confusão que as pessoas se preocupem mais com a vida dos outros do que com as suas próprias vidas.
Faz-me confusão que toda a gente se queixe de não ter dinheiro mas continue a andar de carro para todo o lado e os restaurantes mais caros continuem cheios e que continuem as filas na Segunda Circular na hora de ponta e os aviões continuem cheios.
Faz-me mais confusão ainda que pessoas que quase não têm dinheiro para comer não sejam capazes de abdicar de fumar, que é um verdadeiro vício de luxo, hoje em dia.
Faz-me confusão que os miúdos hoje em dia precisem de beber para se divertirem.
Faz-me confusão que os pais não eduquem os filhos e depois se queixem de que eles são malcriados e culpem as escolas disso.
Faz-me confusão que alguns pais se divorciem em simultâneo das mulheres e dos filhos, como se eles não fossem também do seu sangue.
Faz-me confusão ouvir as mulheres dizerem: "O meu marido não passa tempo comigo, nunca me leva a lado nenhum, não faz nada pela nossa relação..." E elas fazem? Ou simplesmente não têm vida própria e limitam-se a viver as vidas dos maridos?
Faz-me confusão que as pessoas não façam nada por elas e depois se queixem a toda a hora.
Faz-me confusão que uma mulher que seja vitima de agressão continue a viver com o seu agressor.
Faz-me confusão que as pessoas maltratem as crianças e mais ainda, ao nível do nojo, a pedofilia.
Faz-me muita confusão que os pais sejam capazes de torturar e matar um filho.
Tanta coisa...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A cabeça debaixo de água
Eu acho que já escrevi aqui que sou uma pessoa estranha e que tenho assim uma grande quantidade de coisas que faço ou não faço e pelo menos duas fobias - uma é às aranhas e é uma coisa horrorosa que já me deu alguns momentos muito embaraçosos e aterrorizadores; a outra é... estão preparados? Pôr a cabeça debaixo de água.
Eu sei. É estranho, mas eu não ponho a cabeça debaixo de água. Digamos que é assim uma espécie de fobia. Falta-me o ar (literalmente, claro). Não sei explicar, mas entro em pânico e começo a imaginar que vou morrer sem respirar e só consigo recuperar quando estou bem à superficie e com ar à minha volta.
Eu não me lembro muito bem de como isto começou, mas acho que foi numa colónia de férias onde estava um primo meu e que nós fomos visitar um dia. Qualquer coisa ali para os lados da Praia das Maçãs.
A minha mãe nunca entrou no mar na vida dela, nem nunca vestiu um fato de banho tão pouco e é tão especial (leia-se estranha) ao ponto de dizer que ir à praia lhe causa infecções urinárias??????????
Não me façam perguntas dificeis, também nunca percebi.
Voltando à Praia das Maçãs...
Eu estava com a minha mãe e a minha tia e era pequenina, nem sei se não terá sido a minha primeira ida à praia. Uma senhora muito simpática que estava ali ao lado ofereceu-se para me levar à água. Até aqui tudo bem. Das minhas recordações tenho presente alguém a dizer-me: Se abrires os olhos vais ver o fundo do mar. Esqueceram-se de me dizer que não devia abrir o nariz, nem a boca. Não correu nada bem. É a memória mais antiga que tenho com água e com a cabeça lá dentro.
Eu sou a única pessoa que conheço que sai do banho com a cara seca. Adoro lavar a cara, não pensem que não lavo, mas com água fria no lavatório, nada de água de duche a correr pela cara abaixo, que até quando vejo nos outros me perturba imenso.
Por isso nunca entrei numa piscina de cabeça, vulgo mergulho. Mas é que nem pensar. Eu entro pela escada como as pessoas civilizadas e as minhas filhas sabem que a pior coisa que pode haver para a estranha mãezinha delas é atirarem-me água à cara. Ou para cima no geral, porque odeio água fria e o meu termostato é muito diferente do das outras pessoas. O que para a generalidade da humanidade é uma água maravilhosa, para mim é um gelo. Nem queiram saber como é a água do meu banho. Mas só vos digo que ninguém consegue tomar banho comigo...
Aqui há uns anos estava de férias com o meu marido no Brasil. Tinhamos chegado no dia 30 de dezembro, felizes e contentes, pelo menos eu que adoro calor, para passarmos o reveillon. Como chegámos à noite já só tinha o dia 31 para ganhar uma corzinha que me tirasse o tom doentio de inverno que levamos deste país da treta cheio de frio.
Chegámos e fomos direitos à Praia do Forte. Picanha, caipirinha, cervejinha, matar saudades dos sabores da terra. Daí fomos para casa e quando chegámos a Iraci, que é uma pessoa maravilhosa tinha apanhado uns abacaxis no quintal e guardado para mim na cozinha. Comi um inteiro. Vá, não façam essa cara, são muito mais pequeninos do que os de cá e mais estreitos também. Mas são tão boooons. Até perfumam a boca.
Deitei-me cansadinha das nove horas de avião e dormi lindinha até me cheirar a café. A Iraci faz café como o das nossas avós, tipo cafe de cafeteira. Uma maravilha, acordar com o cheirinho a café, abrir a porta do quarto e dar de caras com uma mesa com fruta, café, pão, queijinho de Minas...
Tomei o pequeno almoço e praia com ela. Apanhei sol, comi mais umas coisinhas, bebi uns suquinhos, maravilhosos, como sempre e almocei uma bela moqueca de camarão com arroz branco, saladinha e muita cervejinha. Estão a anotar a quantidade de comida que eu já tinha no estômago por esta altura? É que é muito importante para o desenrolar da história.
Quando estavamos a acabar de almoçar apareceram uns amigos nossos de Portugal que também tinham chegado para o reveillon. Sentaram-se, acabamos de comer todos juntos e entretanto convidaram-nos para dar um passeio de barco ao longo da costa.
Vamos embora pensei eu, no meio da água vou ficar preta num instante. Lá fomos nós para um antigo barco de pesca (muito antigo), com um cheiro inacreditável a gasoleo.
Eu até nem enjoo em barcos, tenho carta de marinheiro e tudo, por isso não se ponham a fazer contas de cabeça.
Ao fim de um bocado comecei a sentir uma nausea muito familiar e recorrente durante as minhas diversas idas ao Brasil. Tentei ignorar, nem sei porquê porque já estou cansada de saber que não resulta.
Mas é que odeio vomitar.
Aguentei até conseguir e quando já não podia mais meti a cabeça para fora do barco e comecei a vomitar...
Vocês não me conhecem, mas eu quando começo... Já cheguei a fazer uma viagem do Algarve até ao Cartaxo sempre a vomitar. Só para terem noção.
Estava super mal disposta e o cheiro do barco começou a tomar conta da minha cabeça. Não me conseguia abstrair... Estava a ficar cada vez mais intenso. E eu vomitava, e vomitava, e... pronto já perceberam!
Às tantas não aguentei mais. Pensei: "prefiro morrer afogada do que com este cheiro". É verdade, sou uma pessoa muito dramática, mas estava mesmo mal disposta.
Atirei-me do barco para aí a uns 150m da costa, pelo menos é o que o meu marido diz. Quando ele me viu a sair disparada do barco pensou que eu estava doida e que tinha que estar muito aflita para me sujeitar a meter a cabeça debaixo de água. Atirou-se atrás de mim, claro, que se ficasse viúvo tinha que cuidar das miúdas e da gata sózinho. E acho que também um bocadinho porque gosta de mim. Não sei como mas consegui nadar até quase à praia. E digo não sei como porque eu a nadar sou uma coisa maravilhosa e as minhas filhas até costumam dizer que eu inventei um novo estilo - bruços mas com a cabeça sempre à tona e muito direitinha. Pronto.
Quando cheguei à praia, já com o meu marido a apoiar-me estava semi desmaiada, (há partes que não me lembro), cheia de frio, fico sempre cheia de febre com estas coisas, e só levantava a cabeça para continuar a vomitar.
Acreditem ou não vomitei até ao abacaxi da noite anterior. Imaginem lá como é que o meu estomago estava.
Fiquei não sei quanto tempo na praia com a cabeça deitada no colo do meu marido, a vomitar nada, porque já tinha o estômago vazio e cheia de frio.
Os nossos amigos regressaram e levaram toalhas para me taparem enquanto decidiam o que fazer com o meu quase cadáver... (estão a ver a tal veia dramática?).
Perdi a noção do tempo, lembro-me ouvir uma brasileira a dizer:
- Nossa eu acho que ela tá morta, viu? Porque tem as unhas tudo roxo...
E eu a pensar: A mulher tá parva coitada, não estou nada morta, estou a ouvi-la muito bem e a deixar de ouvir tudo outra vez.
Os nossos amigos queriam chamar um médico, mas o meu marido que infelizmente já está habituado a estas coisas, sossegou-os:
-Quando ela estabilizar levo-a para casa. A empregada tem lá um chá que lhe costuma fazer muito bem.
coitadinho, já me aturou tantas destas. Normalmente nas férias. Uma vez em Barcelona... fica para outra vez.
Já começava a escurecer quando me conseguiram levantar e levar até ao hotel onde eles estavam que era ali muito pertinho.
Deitaram-me numa cadeirinha da piscina, taparam-me com cobertores ou com um edredon, estavam para aí uns 30 graus, mas eu tremia...
Deram-me água morna a beber, e fui estabilizando. Comecei a pedir água e finalmente pedi para ir para casa.
Isto até pode parecer fácil, mas esperavam-me assim uns sete quilómetros por um caminho de terra batida, que é buraco, buraco, buraco...
Levantei-me, deitei toda a água que tinha bebido fora de um jato e lá consegui chegar ao carro e daí a casa.
Não preciso de dizer que a minha passagem de ano foi na caminha, meia em coma, como fico sempre quando tenhas estas coisas e a do meu marido no terraço lá de casa a brindar sozinho ao ano novo com uma cerveja na mão. Tadinho. Nem sei como ele me atura.
Foi a única vez na minha vida que meti voluntaria ou involuntariamente a cabecinha debaixo de água. E espero não repetir a experiência.
Um dia destes conto-vos o meu problema com as aranhas.
Ainda se vão rir...
Eu sei. É estranho, mas eu não ponho a cabeça debaixo de água. Digamos que é assim uma espécie de fobia. Falta-me o ar (literalmente, claro). Não sei explicar, mas entro em pânico e começo a imaginar que vou morrer sem respirar e só consigo recuperar quando estou bem à superficie e com ar à minha volta.
Eu não me lembro muito bem de como isto começou, mas acho que foi numa colónia de férias onde estava um primo meu e que nós fomos visitar um dia. Qualquer coisa ali para os lados da Praia das Maçãs.
A minha mãe nunca entrou no mar na vida dela, nem nunca vestiu um fato de banho tão pouco e é tão especial (leia-se estranha) ao ponto de dizer que ir à praia lhe causa infecções urinárias??????????
Não me façam perguntas dificeis, também nunca percebi.
Voltando à Praia das Maçãs...
Eu estava com a minha mãe e a minha tia e era pequenina, nem sei se não terá sido a minha primeira ida à praia. Uma senhora muito simpática que estava ali ao lado ofereceu-se para me levar à água. Até aqui tudo bem. Das minhas recordações tenho presente alguém a dizer-me: Se abrires os olhos vais ver o fundo do mar. Esqueceram-se de me dizer que não devia abrir o nariz, nem a boca. Não correu nada bem. É a memória mais antiga que tenho com água e com a cabeça lá dentro.
Eu sou a única pessoa que conheço que sai do banho com a cara seca. Adoro lavar a cara, não pensem que não lavo, mas com água fria no lavatório, nada de água de duche a correr pela cara abaixo, que até quando vejo nos outros me perturba imenso.
Por isso nunca entrei numa piscina de cabeça, vulgo mergulho. Mas é que nem pensar. Eu entro pela escada como as pessoas civilizadas e as minhas filhas sabem que a pior coisa que pode haver para a estranha mãezinha delas é atirarem-me água à cara. Ou para cima no geral, porque odeio água fria e o meu termostato é muito diferente do das outras pessoas. O que para a generalidade da humanidade é uma água maravilhosa, para mim é um gelo. Nem queiram saber como é a água do meu banho. Mas só vos digo que ninguém consegue tomar banho comigo...
Aqui há uns anos estava de férias com o meu marido no Brasil. Tinhamos chegado no dia 30 de dezembro, felizes e contentes, pelo menos eu que adoro calor, para passarmos o reveillon. Como chegámos à noite já só tinha o dia 31 para ganhar uma corzinha que me tirasse o tom doentio de inverno que levamos deste país da treta cheio de frio.
Chegámos e fomos direitos à Praia do Forte. Picanha, caipirinha, cervejinha, matar saudades dos sabores da terra. Daí fomos para casa e quando chegámos a Iraci, que é uma pessoa maravilhosa tinha apanhado uns abacaxis no quintal e guardado para mim na cozinha. Comi um inteiro. Vá, não façam essa cara, são muito mais pequeninos do que os de cá e mais estreitos também. Mas são tão boooons. Até perfumam a boca.
Deitei-me cansadinha das nove horas de avião e dormi lindinha até me cheirar a café. A Iraci faz café como o das nossas avós, tipo cafe de cafeteira. Uma maravilha, acordar com o cheirinho a café, abrir a porta do quarto e dar de caras com uma mesa com fruta, café, pão, queijinho de Minas...
Tomei o pequeno almoço e praia com ela. Apanhei sol, comi mais umas coisinhas, bebi uns suquinhos, maravilhosos, como sempre e almocei uma bela moqueca de camarão com arroz branco, saladinha e muita cervejinha. Estão a anotar a quantidade de comida que eu já tinha no estômago por esta altura? É que é muito importante para o desenrolar da história.
Quando estavamos a acabar de almoçar apareceram uns amigos nossos de Portugal que também tinham chegado para o reveillon. Sentaram-se, acabamos de comer todos juntos e entretanto convidaram-nos para dar um passeio de barco ao longo da costa.
Vamos embora pensei eu, no meio da água vou ficar preta num instante. Lá fomos nós para um antigo barco de pesca (muito antigo), com um cheiro inacreditável a gasoleo.
Eu até nem enjoo em barcos, tenho carta de marinheiro e tudo, por isso não se ponham a fazer contas de cabeça.
Ao fim de um bocado comecei a sentir uma nausea muito familiar e recorrente durante as minhas diversas idas ao Brasil. Tentei ignorar, nem sei porquê porque já estou cansada de saber que não resulta.
Mas é que odeio vomitar.
Aguentei até conseguir e quando já não podia mais meti a cabeça para fora do barco e comecei a vomitar...
Vocês não me conhecem, mas eu quando começo... Já cheguei a fazer uma viagem do Algarve até ao Cartaxo sempre a vomitar. Só para terem noção.
Estava super mal disposta e o cheiro do barco começou a tomar conta da minha cabeça. Não me conseguia abstrair... Estava a ficar cada vez mais intenso. E eu vomitava, e vomitava, e... pronto já perceberam!
Às tantas não aguentei mais. Pensei: "prefiro morrer afogada do que com este cheiro". É verdade, sou uma pessoa muito dramática, mas estava mesmo mal disposta.
Atirei-me do barco para aí a uns 150m da costa, pelo menos é o que o meu marido diz. Quando ele me viu a sair disparada do barco pensou que eu estava doida e que tinha que estar muito aflita para me sujeitar a meter a cabeça debaixo de água. Atirou-se atrás de mim, claro, que se ficasse viúvo tinha que cuidar das miúdas e da gata sózinho. E acho que também um bocadinho porque gosta de mim. Não sei como mas consegui nadar até quase à praia. E digo não sei como porque eu a nadar sou uma coisa maravilhosa e as minhas filhas até costumam dizer que eu inventei um novo estilo - bruços mas com a cabeça sempre à tona e muito direitinha. Pronto.
Quando cheguei à praia, já com o meu marido a apoiar-me estava semi desmaiada, (há partes que não me lembro), cheia de frio, fico sempre cheia de febre com estas coisas, e só levantava a cabeça para continuar a vomitar.
Acreditem ou não vomitei até ao abacaxi da noite anterior. Imaginem lá como é que o meu estomago estava.
Fiquei não sei quanto tempo na praia com a cabeça deitada no colo do meu marido, a vomitar nada, porque já tinha o estômago vazio e cheia de frio.
Os nossos amigos regressaram e levaram toalhas para me taparem enquanto decidiam o que fazer com o meu quase cadáver... (estão a ver a tal veia dramática?).
Perdi a noção do tempo, lembro-me ouvir uma brasileira a dizer:
- Nossa eu acho que ela tá morta, viu? Porque tem as unhas tudo roxo...
E eu a pensar: A mulher tá parva coitada, não estou nada morta, estou a ouvi-la muito bem e a deixar de ouvir tudo outra vez.
Os nossos amigos queriam chamar um médico, mas o meu marido que infelizmente já está habituado a estas coisas, sossegou-os:
-Quando ela estabilizar levo-a para casa. A empregada tem lá um chá que lhe costuma fazer muito bem.
coitadinho, já me aturou tantas destas. Normalmente nas férias. Uma vez em Barcelona... fica para outra vez.
Já começava a escurecer quando me conseguiram levantar e levar até ao hotel onde eles estavam que era ali muito pertinho.
Deitaram-me numa cadeirinha da piscina, taparam-me com cobertores ou com um edredon, estavam para aí uns 30 graus, mas eu tremia...
Deram-me água morna a beber, e fui estabilizando. Comecei a pedir água e finalmente pedi para ir para casa.
Isto até pode parecer fácil, mas esperavam-me assim uns sete quilómetros por um caminho de terra batida, que é buraco, buraco, buraco...
Levantei-me, deitei toda a água que tinha bebido fora de um jato e lá consegui chegar ao carro e daí a casa.
Não preciso de dizer que a minha passagem de ano foi na caminha, meia em coma, como fico sempre quando tenhas estas coisas e a do meu marido no terraço lá de casa a brindar sozinho ao ano novo com uma cerveja na mão. Tadinho. Nem sei como ele me atura.
Foi a única vez na minha vida que meti voluntaria ou involuntariamente a cabecinha debaixo de água. E espero não repetir a experiência.
Um dia destes conto-vos o meu problema com as aranhas.
Ainda se vão rir...
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