Eu acho que já escrevi aqui que sou uma pessoa estranha e que tenho assim uma grande quantidade de coisas que faço ou não faço e pelo menos duas fobias - uma é às aranhas e é uma coisa horrorosa que já me deu alguns momentos muito embaraçosos e aterrorizadores; a outra é... estão preparados? Pôr a cabeça debaixo de água.
Eu sei. É estranho, mas eu não ponho a cabeça debaixo de água. Digamos que é assim uma espécie de fobia. Falta-me o ar (literalmente, claro). Não sei explicar, mas entro em pânico e começo a imaginar que vou morrer sem respirar e só consigo recuperar quando estou bem à superficie e com ar à minha volta.
Eu não me lembro muito bem de como isto começou, mas acho que foi numa colónia de férias onde estava um primo meu e que nós fomos visitar um dia. Qualquer coisa ali para os lados da Praia das Maçãs.
A minha mãe nunca entrou no mar na vida dela, nem nunca vestiu um fato de banho tão pouco e é tão especial (leia-se estranha) ao ponto de dizer que ir à praia lhe causa infecções urinárias??????????
Não me façam perguntas dificeis, também nunca percebi.
Voltando à Praia das Maçãs...
Eu estava com a minha mãe e a minha tia e era pequenina, nem sei se não terá sido a minha primeira ida à praia. Uma senhora muito simpática que estava ali ao lado ofereceu-se para me levar à água. Até aqui tudo bem. Das minhas recordações tenho presente alguém a dizer-me: Se abrires os olhos vais ver o fundo do mar. Esqueceram-se de me dizer que não devia abrir o nariz, nem a boca. Não correu nada bem. É a memória mais antiga que tenho com água e com a cabeça lá dentro.
Eu sou a única pessoa que conheço que sai do banho com a cara seca. Adoro lavar a cara, não pensem que não lavo, mas com água fria no lavatório, nada de água de duche a correr pela cara abaixo, que até quando vejo nos outros me perturba imenso.
Por isso nunca entrei numa piscina de cabeça, vulgo mergulho. Mas é que nem pensar. Eu entro pela escada como as pessoas civilizadas e as minhas filhas sabem que a pior coisa que pode haver para a estranha mãezinha delas é atirarem-me água à cara. Ou para cima no geral, porque odeio água fria e o meu termostato é muito diferente do das outras pessoas. O que para a generalidade da humanidade é uma água maravilhosa, para mim é um gelo. Nem queiram saber como é a água do meu banho. Mas só vos digo que ninguém consegue tomar banho comigo...
Aqui há uns anos estava de férias com o meu marido no Brasil. Tinhamos chegado no dia 30 de dezembro, felizes e contentes, pelo menos eu que adoro calor, para passarmos o reveillon. Como chegámos à noite já só tinha o dia 31 para ganhar uma corzinha que me tirasse o tom doentio de inverno que levamos deste país da treta cheio de frio.
Chegámos e fomos direitos à Praia do Forte. Picanha, caipirinha, cervejinha, matar saudades dos sabores da terra. Daí fomos para casa e quando chegámos a Iraci, que é uma pessoa maravilhosa tinha apanhado uns abacaxis no quintal e guardado para mim na cozinha. Comi um inteiro. Vá, não façam essa cara, são muito mais pequeninos do que os de cá e mais estreitos também. Mas são tão boooons. Até perfumam a boca.
Deitei-me cansadinha das nove horas de avião e dormi lindinha até me cheirar a café. A Iraci faz café como o das nossas avós, tipo cafe de cafeteira. Uma maravilha, acordar com o cheirinho a café, abrir a porta do quarto e dar de caras com uma mesa com fruta, café, pão, queijinho de Minas...
Tomei o pequeno almoço e praia com ela. Apanhei sol, comi mais umas coisinhas, bebi uns suquinhos, maravilhosos, como sempre e almocei uma bela moqueca de camarão com arroz branco, saladinha e muita cervejinha. Estão a anotar a quantidade de comida que eu já tinha no estômago por esta altura? É que é muito importante para o desenrolar da história.
Quando estavamos a acabar de almoçar apareceram uns amigos nossos de Portugal que também tinham chegado para o reveillon. Sentaram-se, acabamos de comer todos juntos e entretanto convidaram-nos para dar um passeio de barco ao longo da costa.
Vamos embora pensei eu, no meio da água vou ficar preta num instante. Lá fomos nós para um antigo barco de pesca (muito antigo), com um cheiro inacreditável a gasoleo.
Eu até nem enjoo em barcos, tenho carta de marinheiro e tudo, por isso não se ponham a fazer contas de cabeça.
Ao fim de um bocado comecei a sentir uma nausea muito familiar e recorrente durante as minhas diversas idas ao Brasil. Tentei ignorar, nem sei porquê porque já estou cansada de saber que não resulta.
Mas é que odeio vomitar.
Aguentei até conseguir e quando já não podia mais meti a cabeça para fora do barco e comecei a vomitar...
Vocês não me conhecem, mas eu quando começo... Já cheguei a fazer uma viagem do Algarve até ao Cartaxo sempre a vomitar. Só para terem noção.
Estava super mal disposta e o cheiro do barco começou a tomar conta da minha cabeça. Não me conseguia abstrair... Estava a ficar cada vez mais intenso. E eu vomitava, e vomitava, e... pronto já perceberam!
Às tantas não aguentei mais. Pensei: "prefiro morrer afogada do que com este cheiro". É verdade, sou uma pessoa muito dramática, mas estava mesmo mal disposta.
Atirei-me do barco para aí a uns 150m da costa, pelo menos é o que o meu marido diz. Quando ele me viu a sair disparada do barco pensou que eu estava doida e que tinha que estar muito aflita para me sujeitar a meter a cabeça debaixo de água. Atirou-se atrás de mim, claro, que se ficasse viúvo tinha que cuidar das miúdas e da gata sózinho. E acho que também um bocadinho porque gosta de mim. Não sei como mas consegui nadar até quase à praia. E digo não sei como porque eu a nadar sou uma coisa maravilhosa e as minhas filhas até costumam dizer que eu inventei um novo estilo - bruços mas com a cabeça sempre à tona e muito direitinha. Pronto.
Quando cheguei à praia, já com o meu marido a apoiar-me estava semi desmaiada, (há partes que não me lembro), cheia de frio, fico sempre cheia de febre com estas coisas, e só levantava a cabeça para continuar a vomitar.
Acreditem ou não vomitei até ao abacaxi da noite anterior. Imaginem lá como é que o meu estomago estava.
Fiquei não sei quanto tempo na praia com a cabeça deitada no colo do meu marido, a vomitar nada, porque já tinha o estômago vazio e cheia de frio.
Os nossos amigos regressaram e levaram toalhas para me taparem enquanto decidiam o que fazer com o meu quase cadáver... (estão a ver a tal veia dramática?).
Perdi a noção do tempo, lembro-me ouvir uma brasileira a dizer:
- Nossa eu acho que ela tá morta, viu? Porque tem as unhas tudo roxo...
E eu a pensar: A mulher tá parva coitada, não estou nada morta, estou a ouvi-la muito bem e a deixar de ouvir tudo outra vez.
Os nossos amigos queriam chamar um médico, mas o meu marido que infelizmente já está habituado a estas coisas, sossegou-os:
-Quando ela estabilizar levo-a para casa. A empregada tem lá um chá que lhe costuma fazer muito bem.
coitadinho, já me aturou tantas destas. Normalmente nas férias. Uma vez em Barcelona... fica para outra vez.
Já começava a escurecer quando me conseguiram levantar e levar até ao hotel onde eles estavam que era ali muito pertinho.
Deitaram-me numa cadeirinha da piscina, taparam-me com cobertores ou com um edredon, estavam para aí uns 30 graus, mas eu tremia...
Deram-me água morna a beber, e fui estabilizando. Comecei a pedir água e finalmente pedi para ir para casa.
Isto até pode parecer fácil, mas esperavam-me assim uns sete quilómetros por um caminho de terra batida, que é buraco, buraco, buraco...
Levantei-me, deitei toda a água que tinha bebido fora de um jato e lá consegui chegar ao carro e daí a casa.
Não preciso de dizer que a minha passagem de ano foi na caminha, meia em coma, como fico sempre quando tenhas estas coisas e a do meu marido no terraço lá de casa a brindar sozinho ao ano novo com uma cerveja na mão. Tadinho. Nem sei como ele me atura.
Foi a única vez na minha vida que meti voluntaria ou involuntariamente a cabecinha debaixo de água. E espero não repetir a experiência.
Um dia destes conto-vos o meu problema com as aranhas.
Ainda se vão rir...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Eu e os livros
A minha relação com os livros é tão antiga na minha vida como a minha relação com os tachos. Não acreditam? Pois para que conste eu com 4 anos já sabia ler. E bem!
Mas não faz mal que não acreditem. Na altura também ninguém acreditou em mim, as crianças são sempre incompreendidas. Eu que o diga!
Mas vamos ao que interessa.
Eu tinha quatro anos e fiquei doente pela primeira vez (lembram-se da história da injecção? Pois foi dessa vez) e como naquela época tão pré-histórica não havia Playstation, PSP, computadores ou sequer televisão no quarto, o que também não havia de valer muito a pena com apenas dois canais, e como eu nunca fui muito boa a estar quieta, chegou a uma altura em que já ninguém me podia aturar lá em casa e estavam capazes de me dar o que quer que fosse para eu deixar de me queixar da vidinha. Não se esqueçam que eu tinha quatro anos.
Adiante. Um dia depois do jantar, o meu pai e o meu padrinho, que morava connosco, antes de sairem para beber café perguntaram-me se eu queria que me trouxessem alguma coisa.
- Quero. Tragam-me livros daqueles que estão ao lado do balcão com o Mickey e o Pateta.
- Livros? Para que é que tu queres os livros? Nem sequer sabes ler.
- Sei sim senhor! Sei ler muito bem. Tragam-me lá os livros que eu já mostro se sei ou não sei. (Sempre fui tão refilona, graças a Deus).
- Pronto, pronto, não te zangues. Nós trazemos-te os livros.
E trouxeram. Eram dois livrinhos pequeninos, não sei explicar bem porque agora não vejo nada do género a vender, mas eram da Disney e tinham tipo um desenho em cima e um bocadinho de história em baixo ou ao contrário. Um era do Mickey e do seu fiel cãozinho Pluto e o outro do Goofy, que como todos sabemos é o Pateta.
- Lê lá ó espevitada. Já que sabes ler tão bem.
E eu li. Ah pois foi, calei-os num instantinho. Não lia rapidamente, mas conhecia as letras e sabia juntá-las e formar as palavras.
Ficou tudo de boca aberta, sem perceber nada do que se estava a passar.
Mas tudo na vida tem uma explicação e infelizmente tenho que admitir que, por muito que isso me agradasse, não sou nenhum génio.
A minha mãe trabalhava em casa de costura e para me entreter, e eu não era fácil, porque nunca me calava, comprou um livro da 1ª classe (para os mais novos, 1º ano do ensino básico) e ia-me mostrando as imagens e dizendo as letras - 'a' de águia, 'e' de égua, 'i' de igreja, 'o' de ovo e 'u' de uva. O livro continuava com o abecedário muito bem explicado com uns desenhos amorosos dos quais ainda me lembro muito bem (agora tenho 45 anos, mas continuo a falar pelos cotovelos) e na parte final quando era suposto já se saber juntar as letras, tinha algumas histórias.
Ainda me lembro que uma delas era o "Milagre das Rosas", aquela história da rainha Santa Isabel, que transformou o pão em rosas, lembram-se?
De tanto repetir fui memorizando as letrinhas. Sempre tive uma memória fantástica, agora é que estou um bocadinho mais esquecida, mas claro que é da idade. Ai...
Enfim, a minha mãe estava convencida que eu sabia o livro de cor e por isso quando eu pegava e 'lia' as histórias do mesmo, ela achava que eu estava só a 'fazer género'. Vou voltar a dizer, as crianças são sempre incompreendidas.
Por isso imaginem as caras deles a olharem para mim e verem uma verdadeira amostra de gente (eu fui sempre mínima) a debitar uma história que nunca tinha visto na vidinha.
E claro que nem preciso de dizer que levaram comigo no fim.
- Então? Sei ler ou não sei? Mas porque é que nunca ninguém acredita em mim? Se eu disse que sabia é porque sabia não é? Se não não dizia.
A lógica infantil é imbatível.
- Sabes sim senhora, muito bem, mas como é que aprendeste?
Pronto tive que lhes explicar o b-a, ba.
A partir daí nunca mais parei. Natal, aniversários, as minhas listas eram sempre de livros. Ainda hoje são, só que agora também incluem acessórios de cozinha...
Devia ter uns nove anos quando me ofereceram o primeiro volume de "Retalhos da Vida de Um Médico", de Fernando Namora, uns meses antes de começar a passar a série na televisão.
Nessa altura já tinha devorado tudo o que Enid Blyton tinha escrito, Cinco, Sete, Cinco Descobridores e o Seu Cão, Colégio das Quatro Torres, Colégio de Santa Clara...
Já tinha lido algumas coisas de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós e a dona da livraria onde o meu pai costumava comprar os meus livros já não sabia que mais havia de recomendar porque achava que eu ainda era muito miúda. Portanto lembro-me que quando abri os meus presentes no dia de Natal desse ano, (na minha infância abriam-se no dia 25 e era o Menino Jesus que os dava, o pai Natal é uma invenção da Coca-Cola), descobri os dois volumes de Retalhos da Vida de Um Médico e um mundo completamente novo para mim. Foi preciso ameaçarem-me para me sentar à mesa, já com metade do primeiro volume lido.
Fiquei apaixonada de tal forma que enquanto não consegui ter os livros dele todos, guardei todo o meu dinheiro de semanadas, padrinhos, tios, tudo para a livraria e acho que chorei quando ele morreu, ja eu era adolescente. Era uma emoção chegar a casa com um livro novo e aquele cheirinho do papel, que ainda hoje amo, e descobrir personagens tão diferentes, vivências... mundos completamente novos para mim.
Depois veio Júlio Dinis, Júlio Verne, passei a fase policial, entrei no romance, lia tudo, mas mesmo tudo o que apanhava a uma velocidade que era impossível de descrever.
Uma paixão que descobri com quatro anos e que me ficou para a vida. Posso entrar e sair de uma loja de roupa sem nada, de uma sapataria, perfumaria, o que for, mas de uma livraria é dificil. Adoro a Bertrand que existe no shopping ao pé da minha casa e onde os empregados já me conhecem para lá de bem. É preciso estar muuuuuuuuuuuuito em baixo de finanças para resistir a um novo título. Adoro livros com histórias reais, romances históricos, romances, poesia, basicamente tudo.
Adoro ler.
O melhor emprego que tive na minha vida foi a escrever as páginas de literatura da revista Focus - pagavam-me para ler e ainda por cima me mandavam os livros. Era mesmo bom. Ficava estendida no sofá a 'trabalhar'. Arduamente, garanto que nessa altura trabalhava sempre arduamente.
Quando vou de férias levo sempre um carregamento de livros, normalmente um meio a dois por dia, dependendo do tema, do autor, do número de páginas. O meu marido fica doente:
- Precisas mesmo de levar isso tudo? Não podes comprar lá?
Não, não posso. Preciso de os escolher com calma, de os 'saborear' e decidir o que levar já faz parte do gozo das férias.
PORQUE É QUE NINGUÉM ENTENDE?
A par de cozinhar, ler é das coisas que mais gosto de fazer e aquela que me permite alhear-me do mundo.
Consegui passar esta paixão às minhas filhas. Não tão intensa, mas adoram ler o que me deixa muito feliz.
Tenho tanta pena das pessoas que dizem não gostar de ler.
Entrar num livro, na história, na cabeça das personagens, criar um filme na nossa cabeça é muito bom.
Por isso odeio os filmes dos livros. São tão insípidos. Nunca conseguem transmitir nada daquilo que eu estou à espera.
O meu livro de cabeceira? São tantos... A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, Os Cisnes Selvagens, Memórias de Uma Gueixa, Fauziya Kasinga - As Lágrimas do Silêncio (Mutilação Genital Feminina), Amanhecer, sei lá, são tantos.
O que estou a ler agora? Dei-te o Melhor de Mim, Nicholas Sparks e Raparigas da Villa de Nicki Pellegrino.
O que vou ler a seguir?
Ainda não sei, mas apetece-me voltar a reler algumas coisas como Os Maias e O Monte dos Vendavais, que uma amiga me ofereceu há algum tempo e que adorei.
Mas não faz mal que não acreditem. Na altura também ninguém acreditou em mim, as crianças são sempre incompreendidas. Eu que o diga!
Mas vamos ao que interessa.
Eu tinha quatro anos e fiquei doente pela primeira vez (lembram-se da história da injecção? Pois foi dessa vez) e como naquela época tão pré-histórica não havia Playstation, PSP, computadores ou sequer televisão no quarto, o que também não havia de valer muito a pena com apenas dois canais, e como eu nunca fui muito boa a estar quieta, chegou a uma altura em que já ninguém me podia aturar lá em casa e estavam capazes de me dar o que quer que fosse para eu deixar de me queixar da vidinha. Não se esqueçam que eu tinha quatro anos.
Adiante. Um dia depois do jantar, o meu pai e o meu padrinho, que morava connosco, antes de sairem para beber café perguntaram-me se eu queria que me trouxessem alguma coisa.
- Quero. Tragam-me livros daqueles que estão ao lado do balcão com o Mickey e o Pateta.
- Livros? Para que é que tu queres os livros? Nem sequer sabes ler.
- Sei sim senhor! Sei ler muito bem. Tragam-me lá os livros que eu já mostro se sei ou não sei. (Sempre fui tão refilona, graças a Deus).
- Pronto, pronto, não te zangues. Nós trazemos-te os livros.
E trouxeram. Eram dois livrinhos pequeninos, não sei explicar bem porque agora não vejo nada do género a vender, mas eram da Disney e tinham tipo um desenho em cima e um bocadinho de história em baixo ou ao contrário. Um era do Mickey e do seu fiel cãozinho Pluto e o outro do Goofy, que como todos sabemos é o Pateta.
- Lê lá ó espevitada. Já que sabes ler tão bem.
E eu li. Ah pois foi, calei-os num instantinho. Não lia rapidamente, mas conhecia as letras e sabia juntá-las e formar as palavras.
Ficou tudo de boca aberta, sem perceber nada do que se estava a passar.
Mas tudo na vida tem uma explicação e infelizmente tenho que admitir que, por muito que isso me agradasse, não sou nenhum génio.
A minha mãe trabalhava em casa de costura e para me entreter, e eu não era fácil, porque nunca me calava, comprou um livro da 1ª classe (para os mais novos, 1º ano do ensino básico) e ia-me mostrando as imagens e dizendo as letras - 'a' de águia, 'e' de égua, 'i' de igreja, 'o' de ovo e 'u' de uva. O livro continuava com o abecedário muito bem explicado com uns desenhos amorosos dos quais ainda me lembro muito bem (agora tenho 45 anos, mas continuo a falar pelos cotovelos) e na parte final quando era suposto já se saber juntar as letras, tinha algumas histórias.
Ainda me lembro que uma delas era o "Milagre das Rosas", aquela história da rainha Santa Isabel, que transformou o pão em rosas, lembram-se?
De tanto repetir fui memorizando as letrinhas. Sempre tive uma memória fantástica, agora é que estou um bocadinho mais esquecida, mas claro que é da idade. Ai...
Enfim, a minha mãe estava convencida que eu sabia o livro de cor e por isso quando eu pegava e 'lia' as histórias do mesmo, ela achava que eu estava só a 'fazer género'. Vou voltar a dizer, as crianças são sempre incompreendidas.
Por isso imaginem as caras deles a olharem para mim e verem uma verdadeira amostra de gente (eu fui sempre mínima) a debitar uma história que nunca tinha visto na vidinha.
E claro que nem preciso de dizer que levaram comigo no fim.
- Então? Sei ler ou não sei? Mas porque é que nunca ninguém acredita em mim? Se eu disse que sabia é porque sabia não é? Se não não dizia.
A lógica infantil é imbatível.
- Sabes sim senhora, muito bem, mas como é que aprendeste?
Pronto tive que lhes explicar o b-a, ba.
A partir daí nunca mais parei. Natal, aniversários, as minhas listas eram sempre de livros. Ainda hoje são, só que agora também incluem acessórios de cozinha...
Devia ter uns nove anos quando me ofereceram o primeiro volume de "Retalhos da Vida de Um Médico", de Fernando Namora, uns meses antes de começar a passar a série na televisão.
Nessa altura já tinha devorado tudo o que Enid Blyton tinha escrito, Cinco, Sete, Cinco Descobridores e o Seu Cão, Colégio das Quatro Torres, Colégio de Santa Clara...
Já tinha lido algumas coisas de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós e a dona da livraria onde o meu pai costumava comprar os meus livros já não sabia que mais havia de recomendar porque achava que eu ainda era muito miúda. Portanto lembro-me que quando abri os meus presentes no dia de Natal desse ano, (na minha infância abriam-se no dia 25 e era o Menino Jesus que os dava, o pai Natal é uma invenção da Coca-Cola), descobri os dois volumes de Retalhos da Vida de Um Médico e um mundo completamente novo para mim. Foi preciso ameaçarem-me para me sentar à mesa, já com metade do primeiro volume lido.
Fiquei apaixonada de tal forma que enquanto não consegui ter os livros dele todos, guardei todo o meu dinheiro de semanadas, padrinhos, tios, tudo para a livraria e acho que chorei quando ele morreu, ja eu era adolescente. Era uma emoção chegar a casa com um livro novo e aquele cheirinho do papel, que ainda hoje amo, e descobrir personagens tão diferentes, vivências... mundos completamente novos para mim.
Depois veio Júlio Dinis, Júlio Verne, passei a fase policial, entrei no romance, lia tudo, mas mesmo tudo o que apanhava a uma velocidade que era impossível de descrever.
Uma paixão que descobri com quatro anos e que me ficou para a vida. Posso entrar e sair de uma loja de roupa sem nada, de uma sapataria, perfumaria, o que for, mas de uma livraria é dificil. Adoro a Bertrand que existe no shopping ao pé da minha casa e onde os empregados já me conhecem para lá de bem. É preciso estar muuuuuuuuuuuuito em baixo de finanças para resistir a um novo título. Adoro livros com histórias reais, romances históricos, romances, poesia, basicamente tudo.
Adoro ler.
O melhor emprego que tive na minha vida foi a escrever as páginas de literatura da revista Focus - pagavam-me para ler e ainda por cima me mandavam os livros. Era mesmo bom. Ficava estendida no sofá a 'trabalhar'. Arduamente, garanto que nessa altura trabalhava sempre arduamente.
Quando vou de férias levo sempre um carregamento de livros, normalmente um meio a dois por dia, dependendo do tema, do autor, do número de páginas. O meu marido fica doente:
- Precisas mesmo de levar isso tudo? Não podes comprar lá?
Não, não posso. Preciso de os escolher com calma, de os 'saborear' e decidir o que levar já faz parte do gozo das férias.
PORQUE É QUE NINGUÉM ENTENDE?
A par de cozinhar, ler é das coisas que mais gosto de fazer e aquela que me permite alhear-me do mundo.
Consegui passar esta paixão às minhas filhas. Não tão intensa, mas adoram ler o que me deixa muito feliz.
Tenho tanta pena das pessoas que dizem não gostar de ler.
Entrar num livro, na história, na cabeça das personagens, criar um filme na nossa cabeça é muito bom.
Por isso odeio os filmes dos livros. São tão insípidos. Nunca conseguem transmitir nada daquilo que eu estou à espera.
O meu livro de cabeceira? São tantos... A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, Os Cisnes Selvagens, Memórias de Uma Gueixa, Fauziya Kasinga - As Lágrimas do Silêncio (Mutilação Genital Feminina), Amanhecer, sei lá, são tantos.
O que estou a ler agora? Dei-te o Melhor de Mim, Nicholas Sparks e Raparigas da Villa de Nicki Pellegrino.
O que vou ler a seguir?
Ainda não sei, mas apetece-me voltar a reler algumas coisas como Os Maias e O Monte dos Vendavais, que uma amiga me ofereceu há algum tempo e que adorei.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Já tou farta de tanta crise e de tanta choraminguice...
Este país é um colosso. Tá tudo grosso! Tá tudo grosso! Anda tudo a fazer pouco... da gente!!!
Lembram-se?
Era um dos sketchs feitos pela Ivone Silva e penso que pelo Camilo de Oliveira num daqueles programas da RTP 1 e continua tão atual como sempre.
Com uma diferença - os portugueses aprenderam a queixar-se, a choramingar, a fazerem-se de coitadinhos, desgradaçadinhos, VITIMAS...
É que já não há paciência. Eu sei que as coisas estão péssimas, senti-o na pele, no negócio que achei que ia ser o meu salto para outro nível, sinto-o todos os dias quando vejo os preços a subir mais rápido que os balões de ar quente. Mas daí até andar toda a gente com cara de "todos me devem e ninguém me paga", vai uma senhora distância. Os portugueses têm que começar a olhar um bocadinho mais além do próprio umbigo, a ser menos egoistas e sobretudo a pararem com a história da desgradaçadinha.
BOLAS. O fado foi promovido a Património da Humanidade, mas isso não quer dizer que façamos da lamentação o nosso lema colectivo. Abstenham-se, se faz favor. Já chega de vitimismo (não sei se esta palavra existe, mas é óptima para este caso), comecem a levantar a cabeça e a mostrar algum orgulho.
CARAÇAS! Mas nós somos descendentes de Vasco da Gama ou do Rato Mickey?
E que tal pararem de se queixar e começarem a procurar o que fazer? Ok, eu concordo, os empregos estão difíceis, mas ainda há trabalho...
Às vezes dá-me uma vontade de abrir a boca e começar a insultar determinado tipo de gente. A sério!!!???
É mesmo necessário andar toda a gente mal disposta e com cara de cú? Não podemos seguir o exemplo dos brasileiros? Hoje tem arroz, amanhã a gente vê... Vá lá, vamos começar a pensar que já vivemos muito pior.
Quando eu era miúda a televisão tinha dois canais e os dois eram a preto e branco. E não havia cá comandos. Levantávamos o rabinho do sofá (mais cadeiras, mas pronto) e mudávamos de canal no botãozinho da televisão - uma maneira de fazer exercício.
Compravam-se coisas como bolachas, chocolates e afins quando o rei fazia anos e não todos os dias.
Almoçava-se fora em dias de festa e não sempre que não nos apetece cozinhar.
Compravam-se sapatos quando se precisava deles e não porque são giros, baratos e toda a gente tem.
E a roupa seguia pelo mesmo caminho...
E os presentes de Natal eram aguardados com muita expectativa, porque eram mesmo necessários, e não superficiais como são agora.
Francamente, acho que mesmo as pessoas mais velhas parece que já se esqueceram do que era a vida antigamente, sem as tretas e as manias que hoje temos. Sem luxos, sem consumismos...
É urgente que os portugueses comecem a fazer contas à vida e percebam que nem toda a gente pode gastar o mesmo só porque o vizinho gasta, ou ter o que o vizinho tem, ou ir de férias para os mesmos sítios, ou comprar as mesmas roupas, sapatos, carros, mobílias, etc.
Perderam-se tantos valores...
Já não se aproveita, fica tudo escandalizado com a palavra aproveitar. Que eu saiba o desperdício é que é mau. Sempre me ensinaram desde pequenina que no aproveitar é que está o ganho...
Pois eu ainda me lembro e por isso aproveito o que posso, em termos de comida, roupa, etc. Não vejo mal nenhum nisso. Aproveito as promoções, os cupões e os talões e as aproximações do fim de validade e cozinho e congelo e reciclo e quem não gosta temos pena. A vida não está para brincadeiras e antes aproveitar do que faltar comida na mesa.
Esta mania das grandezas que atingiu os portugueses vai ter que acabar. A bem ou a mal e o mais certo é ser a mal.
Eu por mim já comecei a fazer as minhas conservas e compotas, os meus rissóis, pasteis e croquetes, para as emergências. E quem não sabe acho melhor começar a pensar em aprender, que as empregadas domésticas também devem ter tendência a acabar. São um luxo, como tantos outros.
Conheço pessoas que nem trabalham, estão em casa e têm uma empregada porque "não tenho jeito para cozinhar, não sei passar a ferro, não gosto muito destas coisas da casa". Tenham dó!
Toda a gente sabe, só é preciso querer... E o problema é que as pessoas não querem. Acomodaram-se, estão bem assim.
Estou mesmo sem paciência para estas tretas.
Como diz a outra: "Cresçam e apareçam!"
E rápido, se faz favor!!!
Lembram-se?
Era um dos sketchs feitos pela Ivone Silva e penso que pelo Camilo de Oliveira num daqueles programas da RTP 1 e continua tão atual como sempre.
Com uma diferença - os portugueses aprenderam a queixar-se, a choramingar, a fazerem-se de coitadinhos, desgradaçadinhos, VITIMAS...
É que já não há paciência. Eu sei que as coisas estão péssimas, senti-o na pele, no negócio que achei que ia ser o meu salto para outro nível, sinto-o todos os dias quando vejo os preços a subir mais rápido que os balões de ar quente. Mas daí até andar toda a gente com cara de "todos me devem e ninguém me paga", vai uma senhora distância. Os portugueses têm que começar a olhar um bocadinho mais além do próprio umbigo, a ser menos egoistas e sobretudo a pararem com a história da desgradaçadinha.
BOLAS. O fado foi promovido a Património da Humanidade, mas isso não quer dizer que façamos da lamentação o nosso lema colectivo. Abstenham-se, se faz favor. Já chega de vitimismo (não sei se esta palavra existe, mas é óptima para este caso), comecem a levantar a cabeça e a mostrar algum orgulho.
CARAÇAS! Mas nós somos descendentes de Vasco da Gama ou do Rato Mickey?
E que tal pararem de se queixar e começarem a procurar o que fazer? Ok, eu concordo, os empregos estão difíceis, mas ainda há trabalho...
Às vezes dá-me uma vontade de abrir a boca e começar a insultar determinado tipo de gente. A sério!!!???
É mesmo necessário andar toda a gente mal disposta e com cara de cú? Não podemos seguir o exemplo dos brasileiros? Hoje tem arroz, amanhã a gente vê... Vá lá, vamos começar a pensar que já vivemos muito pior.
Quando eu era miúda a televisão tinha dois canais e os dois eram a preto e branco. E não havia cá comandos. Levantávamos o rabinho do sofá (mais cadeiras, mas pronto) e mudávamos de canal no botãozinho da televisão - uma maneira de fazer exercício.
Compravam-se coisas como bolachas, chocolates e afins quando o rei fazia anos e não todos os dias.
Almoçava-se fora em dias de festa e não sempre que não nos apetece cozinhar.
Compravam-se sapatos quando se precisava deles e não porque são giros, baratos e toda a gente tem.
E a roupa seguia pelo mesmo caminho...
E os presentes de Natal eram aguardados com muita expectativa, porque eram mesmo necessários, e não superficiais como são agora.
Francamente, acho que mesmo as pessoas mais velhas parece que já se esqueceram do que era a vida antigamente, sem as tretas e as manias que hoje temos. Sem luxos, sem consumismos...
É urgente que os portugueses comecem a fazer contas à vida e percebam que nem toda a gente pode gastar o mesmo só porque o vizinho gasta, ou ter o que o vizinho tem, ou ir de férias para os mesmos sítios, ou comprar as mesmas roupas, sapatos, carros, mobílias, etc.
Perderam-se tantos valores...
Já não se aproveita, fica tudo escandalizado com a palavra aproveitar. Que eu saiba o desperdício é que é mau. Sempre me ensinaram desde pequenina que no aproveitar é que está o ganho...
Pois eu ainda me lembro e por isso aproveito o que posso, em termos de comida, roupa, etc. Não vejo mal nenhum nisso. Aproveito as promoções, os cupões e os talões e as aproximações do fim de validade e cozinho e congelo e reciclo e quem não gosta temos pena. A vida não está para brincadeiras e antes aproveitar do que faltar comida na mesa.
Esta mania das grandezas que atingiu os portugueses vai ter que acabar. A bem ou a mal e o mais certo é ser a mal.
Eu por mim já comecei a fazer as minhas conservas e compotas, os meus rissóis, pasteis e croquetes, para as emergências. E quem não sabe acho melhor começar a pensar em aprender, que as empregadas domésticas também devem ter tendência a acabar. São um luxo, como tantos outros.
Conheço pessoas que nem trabalham, estão em casa e têm uma empregada porque "não tenho jeito para cozinhar, não sei passar a ferro, não gosto muito destas coisas da casa". Tenham dó!
Toda a gente sabe, só é preciso querer... E o problema é que as pessoas não querem. Acomodaram-se, estão bem assim.
Estou mesmo sem paciência para estas tretas.
Como diz a outra: "Cresçam e apareçam!"
E rápido, se faz favor!!!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Perdi um amigo
Um membro da familia!
A minha familia hoje ficou mais pequena. Perdemos um dos nossos membros mais queridos.
O Trovão, o nosso Serra da Estrela despediu-se hoje de uma vida longa para um cão, mas pequena para o carinho que todos tínhamos por ele.
O Trovão era quase cachorro quando eu o conheci. enorme, como convém a um Serra da Estrela teve sempre um cuidado especial no contacto com a minha filha mais nova. Ela sabia que era mais pequenina, mais frágil.
Por isso, sempre que a pequena se aproximava dele, deitava-se e abanava o rabo à espera de festas. E punha a sua pata com muito cuidado na mãozita dela. A pata dele era maior que a mão da minha filha e ela sempre adorou aquele momento dos dois.
Quando eu saia de casa mais cedo que todos, o Trovão dizia-me sempre bom dia. em linguagem de cão, claro, mas dizia.
Teve uma vida longa e sofrida. Tinha uma otite quase crónica. Lembro-me de um Inverno em que tomou imenso antibiótico, o que era sempre uma "tourada".
Eu chegava com o comprimido muito bem "disfarçado" no meio de fiambre, carne ou qualquer outro petisco e estendia-lhe a mão.
Um cão muito esperto, é o que vos digo - apanhava o petisco, cuspia o comprimido e comia o resto.
Eu punha a minha cara de mãe mais séria e ralhava-lhe:
- Trovão! Sabes que estás doente. Tens que tomar o comprimido. Ai o menino...
Ele olhava para mim, com uns enormes olhos castanhos e tenho a certeza que a maior parte das vezes se estava a rir do meu desespero. Eu pegava no comprimido, punha na palma da mão e volta a estendê-lo.
Acreditem ou não, ele comia-o.
Comia mesmo.
Tenho a certeza que ele sabia que precisava daquilo para ficar melhor e por isso rendia-se. Mas primeiro gostava de gozar comigo. E eu deixava.
Vou ter muitas saudades tuas Trovão. Vais fazer muita falta na nossa vida.
Agora que podes finalmente descansar em paz, acredita que ninguém jamais te vai esquecer.
Adeus Trovão.
O Trovão, o nosso Serra da Estrela despediu-se hoje de uma vida longa para um cão, mas pequena para o carinho que todos tínhamos por ele.
O Trovão era quase cachorro quando eu o conheci. enorme, como convém a um Serra da Estrela teve sempre um cuidado especial no contacto com a minha filha mais nova. Ela sabia que era mais pequenina, mais frágil.
Por isso, sempre que a pequena se aproximava dele, deitava-se e abanava o rabo à espera de festas. E punha a sua pata com muito cuidado na mãozita dela. A pata dele era maior que a mão da minha filha e ela sempre adorou aquele momento dos dois.
Quando eu saia de casa mais cedo que todos, o Trovão dizia-me sempre bom dia. em linguagem de cão, claro, mas dizia.
Teve uma vida longa e sofrida. Tinha uma otite quase crónica. Lembro-me de um Inverno em que tomou imenso antibiótico, o que era sempre uma "tourada".
Eu chegava com o comprimido muito bem "disfarçado" no meio de fiambre, carne ou qualquer outro petisco e estendia-lhe a mão.
Um cão muito esperto, é o que vos digo - apanhava o petisco, cuspia o comprimido e comia o resto.
Eu punha a minha cara de mãe mais séria e ralhava-lhe:
- Trovão! Sabes que estás doente. Tens que tomar o comprimido. Ai o menino...
Ele olhava para mim, com uns enormes olhos castanhos e tenho a certeza que a maior parte das vezes se estava a rir do meu desespero. Eu pegava no comprimido, punha na palma da mão e volta a estendê-lo.
Acreditem ou não, ele comia-o.
Comia mesmo.
Tenho a certeza que ele sabia que precisava daquilo para ficar melhor e por isso rendia-se. Mas primeiro gostava de gozar comigo. E eu deixava.
Vou ter muitas saudades tuas Trovão. Vais fazer muita falta na nossa vida.
Agora que podes finalmente descansar em paz, acredita que ninguém jamais te vai esquecer.
Adeus Trovão.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A Margarida!
A Margarida é a princesa da família!
Nasceu num campo de golfe e foi-me oferecida pelo meu "chatinho" quando ainda era bebé.
É assim a coisa mais fofa que podem imaginar.
Surda que nem um portão. Não ofendendo os portões!
É completamente branca, e tem um olho de cada côr: um verde e um azul.
É um verdadeiro traste.
Uma "Cabra do Mato", como eu lhe costumo chamar carinhosamente.
Também é muito meiguinha. Adoptou-me como mãe e eu adoptei-a no meu coração.
A Maggie é parte integrante da família.
E muito mimada! Mesmo muito!
Há cá em casa quem a deixe fazer tudo o que ela quer.
Quem se levante do computador para a ir escovar, dar-lhe biscoitos, brincar com ela.
Quem a deixe subrepticiamente entrar no quarto à noite e saltar para cima da cama: "ela escapou-se".
Pois claro.
Às vezes ficamos verdadeiramente espantados com ela. Muito esperta, sabe bem o que quer e como o conseguir.
E se quiser colo, ninguém a demove. Até é capaz de atacar revistas, livros ou seja o que for que se interponha entre ela e o colinho escolhido para a sestinha da praxe.
Agora estou a trabalhar em casa e a usar o escritório onde costumava trabalhar o meu... já sabem, não é preciso dizer.
A Maggie passa o dia deitada ao pé de mim e de vez em quando faz umas tangentes às minhas pernas, que é como quem diz - roça-se violentamente à procura de mimo.
Arranjei para aqui um aquecedor e ela decidiu adoptá-lo, afinal se dá luz (é daqueles de barrinhas, estão a ver?), dá calor.
Então todas as manhãs temos um novo ritual: Eu chego, sento-me, começo a trabalhar e ela chega logo a seguir e faz aquele ruidinho que não é bem um miado, mas mais um gemidinho de queixume, muito fofinho a pedir para ligar o seu aquecedor.
Pus-lhe uma mantinha no chão e ela passa os dias a virar-se para um lado e para o outro nas posições mais estranhas que possam imaginar e dorme, dorme, dorme...
Eu sei que é só uma gata, mas a verdade é que ela faz imensa companhia.
Tenho quase a certeza que ela sabe sempre quando estou triste, cansada, aborrecida ou feliz, bem disposta e cheia de energia.
A Margarida é assim como a minha terceira filha e não consigo imaginar o meu núcleo sem ela, sem os pêlos por todo o lado, sem as suas patinhas cor-de-rosa a derraparem no chão cá de casa.
Quando as miúdas saem aninhamo-nos as duas no sofá, com a "Polónia" (eu depois explico), e adormecemos as duas muito aconchegadas e consoladas.
No meio deste ano terrível que nunca mais acaba e que tem sido um verdadeiro desenrolar de coisas más, a Margarida nunca falha.
Eu acordo, ela aparece na cozinha...
Eu começo a trabalhar, ela pede para ligar o aquecedor...
Eu estou triste, ela pede festas...
Eu faço bolos, ela lambe as tigelas...
Eu vou ao frigorifico, ela pede leite...
Eu meto-me com ela, ela arranha-me...
Eu adoro-o e aposto que se ela soubesse falar dizia o mesmo a meu respeito...
Nasceu num campo de golfe e foi-me oferecida pelo meu "chatinho" quando ainda era bebé.
É assim a coisa mais fofa que podem imaginar.
Surda que nem um portão. Não ofendendo os portões!
É completamente branca, e tem um olho de cada côr: um verde e um azul.
É um verdadeiro traste.
Uma "Cabra do Mato", como eu lhe costumo chamar carinhosamente.
Também é muito meiguinha. Adoptou-me como mãe e eu adoptei-a no meu coração.
A Maggie é parte integrante da família.
E muito mimada! Mesmo muito!
Há cá em casa quem a deixe fazer tudo o que ela quer.
Quem se levante do computador para a ir escovar, dar-lhe biscoitos, brincar com ela.
Quem a deixe subrepticiamente entrar no quarto à noite e saltar para cima da cama: "ela escapou-se".
Pois claro.
Às vezes ficamos verdadeiramente espantados com ela. Muito esperta, sabe bem o que quer e como o conseguir.
E se quiser colo, ninguém a demove. Até é capaz de atacar revistas, livros ou seja o que for que se interponha entre ela e o colinho escolhido para a sestinha da praxe.
Agora estou a trabalhar em casa e a usar o escritório onde costumava trabalhar o meu... já sabem, não é preciso dizer.
A Maggie passa o dia deitada ao pé de mim e de vez em quando faz umas tangentes às minhas pernas, que é como quem diz - roça-se violentamente à procura de mimo.
Arranjei para aqui um aquecedor e ela decidiu adoptá-lo, afinal se dá luz (é daqueles de barrinhas, estão a ver?), dá calor.
Então todas as manhãs temos um novo ritual: Eu chego, sento-me, começo a trabalhar e ela chega logo a seguir e faz aquele ruidinho que não é bem um miado, mas mais um gemidinho de queixume, muito fofinho a pedir para ligar o seu aquecedor.
Pus-lhe uma mantinha no chão e ela passa os dias a virar-se para um lado e para o outro nas posições mais estranhas que possam imaginar e dorme, dorme, dorme...
Eu sei que é só uma gata, mas a verdade é que ela faz imensa companhia.
Tenho quase a certeza que ela sabe sempre quando estou triste, cansada, aborrecida ou feliz, bem disposta e cheia de energia.
A Margarida é assim como a minha terceira filha e não consigo imaginar o meu núcleo sem ela, sem os pêlos por todo o lado, sem as suas patinhas cor-de-rosa a derraparem no chão cá de casa.
Quando as miúdas saem aninhamo-nos as duas no sofá, com a "Polónia" (eu depois explico), e adormecemos as duas muito aconchegadas e consoladas.
No meio deste ano terrível que nunca mais acaba e que tem sido um verdadeiro desenrolar de coisas más, a Margarida nunca falha.
Eu acordo, ela aparece na cozinha...
Eu começo a trabalhar, ela pede para ligar o aquecedor...
Eu estou triste, ela pede festas...
Eu faço bolos, ela lambe as tigelas...
Eu vou ao frigorifico, ela pede leite...
Eu meto-me com ela, ela arranha-me...
Eu adoro-o e aposto que se ela soubesse falar dizia o mesmo a meu respeito...
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Os comentários na net!
Esta é uma daquelas coisas que me faz mesmo confusão.
Quando não temos nada para dizer o melhor é calarmo-nos. Certo?
Pelo menos foi assim que sempre me ensinaram.
Já repararam que os comentários das pessoas na net a notícias, fotos, etc, é sempre negativo?
Pior, já repararam como as pessoas escrevem mal hoje em dia?
Não há respeito pelas maiúsculas e minúsculas, pelas vírgulas ou pontos finais.
Enfim, não há respeito pela língua portuguesa.
Hoje atingi o meu limite com os comentários feitos no SapoFama, à reportagem sobre o velório da Fátima Raposo.
Os portugueses são tétricos, macabros.
Acham que devia estar toda a gente lavada em lágrimas, a chorar baba e ranho e a assoar os narizes até lhes gastar a pele.
Como se a dor das pessoas se medisse pelas lágrimas que choram em público!
Como se a dor não ficasse para sempre alojada nos corações de todos os que gostavam da Fátima.
Eu conheci a Fátima. Não éramos amigas, nem nada disso. Passámos umas férias juntas porque o namorado que ela tinha na época e o meu marido, que ainda tenho, são amigos há muitos anos.
Quando soube do acidente fiquei chocada.
Somos da mesma idade e a filha dela é mais ou menos da idade das minhas.
Durante o tempo em que convivi com ela, achei-a uma pessoa muito meditativa e introspectiva. Metida no seu mundo. Muito sensível, o que explica a sua opção pela pintura e filosofia de vida que escolheu nos últimos anos.
Não tinha idade para morrer.
Enquanto as pessoas que comentaram a notícia viram os sorrisos, eu vi os olhos.
Vi os olhos tristes e cheios de dor do Zé Manel Saraiva e da Palmira Correia.
Vi os olhos da Inês Pais.
Vi os olhos tristes das pessoas.
Vi as bonitas tentativas das amigas da Inês para a animarem. E arrancaram-lhes uns sorrisos. Ainda bem. É bom que ela não tenha perdido a capacidade de sorrir.
Onde quer que esteja a mãe vai querer que ela continue a sorrir.
Não é o que todas as mães querem?
As pessoas deviam pensar melhor antes de darem palpites sobre assuntos, que não lhes dizem respeito e sobre os quais nada sabem.
Onde quer que estejas - Paz à tua alma Fátima.
Quando não temos nada para dizer o melhor é calarmo-nos. Certo?
Pelo menos foi assim que sempre me ensinaram.
Já repararam que os comentários das pessoas na net a notícias, fotos, etc, é sempre negativo?
Pior, já repararam como as pessoas escrevem mal hoje em dia?
Não há respeito pelas maiúsculas e minúsculas, pelas vírgulas ou pontos finais.
Enfim, não há respeito pela língua portuguesa.
Hoje atingi o meu limite com os comentários feitos no SapoFama, à reportagem sobre o velório da Fátima Raposo.
Os portugueses são tétricos, macabros.
Acham que devia estar toda a gente lavada em lágrimas, a chorar baba e ranho e a assoar os narizes até lhes gastar a pele.
Como se a dor das pessoas se medisse pelas lágrimas que choram em público!
Como se a dor não ficasse para sempre alojada nos corações de todos os que gostavam da Fátima.
Eu conheci a Fátima. Não éramos amigas, nem nada disso. Passámos umas férias juntas porque o namorado que ela tinha na época e o meu marido, que ainda tenho, são amigos há muitos anos.
Quando soube do acidente fiquei chocada.
Somos da mesma idade e a filha dela é mais ou menos da idade das minhas.
Durante o tempo em que convivi com ela, achei-a uma pessoa muito meditativa e introspectiva. Metida no seu mundo. Muito sensível, o que explica a sua opção pela pintura e filosofia de vida que escolheu nos últimos anos.
Não tinha idade para morrer.
Enquanto as pessoas que comentaram a notícia viram os sorrisos, eu vi os olhos.
Vi os olhos tristes e cheios de dor do Zé Manel Saraiva e da Palmira Correia.
Vi os olhos da Inês Pais.
Vi os olhos tristes das pessoas.
Vi as bonitas tentativas das amigas da Inês para a animarem. E arrancaram-lhes uns sorrisos. Ainda bem. É bom que ela não tenha perdido a capacidade de sorrir.
Onde quer que esteja a mãe vai querer que ela continue a sorrir.
Não é o que todas as mães querem?
As pessoas deviam pensar melhor antes de darem palpites sobre assuntos, que não lhes dizem respeito e sobre os quais nada sabem.
Onde quer que estejas - Paz à tua alma Fátima.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Somos o espelho dos nossos pais?
NÃO!
Tenho mesmo a certeza de que não.
Se fossemos eu seria uma pessoínha horrível.
Uma mulher fria, seca e mal-amada.
Uma mãe distante e desligada.
Uma amiga que ninguém quereria ter.
E felizmente não sou.
Às vezes quando estou a ver alguns programas na televisão em que as pessoas se desculpam das suas atitudes com os maus tratos da infância e a falta de carinho que tiveram, apetece-me imenso abaná-las até lhes cairem os dentes.
A sério?
Nunca tiveram amor e por isso também não o têm para dar?
Não me venham com tretas.
Faz parte do nosso percurso como seres humanos crescer e melhorar.
Esta gente nunca ouviu dizer que o que não nos mata nos torna mais fortes?
Então só porque nos maltrataram também temos que maltratar?
Porquê? Para nos vingarmos? De quem nos maltratou ou de quem sofre com os nossos maus tratos?
Era bonito eu agora começar a massacrar as minhas filhas só porque me massacraram a mim.
Lembro-me muitas vezes de uma frase que me dizia a minha mãe na infância:
- Quando fores mãe vais perceber...
Já fui mãe há quase vinte anos e cada vez percebo menos as atitudes dela.
Porque antes de ser mãe já amava as minhas filhas e o meu propósito enquanto mãe é que elas sejam felizes.
Que sejam mulheres justas, equilibradas, responsáveis, bem formadas. E acima de tudo que respeitem os outros. Que não pisem ninguém para atingir os seus objectivos.
E tenho um propósito mais secreto.
Quero que quando falem de mim, tenham orgulho de serem minhas filhas.
Que me considerem a melhor mãe que poderiam ter tido. Que me respeitem sempre.
E que quando forem mães o seu papel junto dos filhos me tenham como modelo.
Quero ser um MODELO para as minhas filhas.
Quero que continuem as tradições de Natal, Páscoa, aniversários e todas as outras que são nossas e que começaram comigo e com elas.
Quero que se lembrem de mim quando embrulharem os presentes de Natal todos iguais, para a árvore de Natal ficar bonita.
Quero que se lembrem de mim quando decidirem que o amarelo é a cor que combina mais com a Páscoa.
Quero que se lembrem de mim quando fizerem os bolos de aniversários dos filhos. E lhes planearem as festas.
Quero que se lembrem de mim quando os obrigarem a vestir-se de uma cor que combine com a decoração de Natal desse ano.
Quero que se lembrem de mim como uma pessoa importante na vida delas e que, mesmo depois de já não estar fisicamente, continue a ser recordada com carinho.
As minhas filhas são o meu orgulho.
Um orgulho muito grande.
Somos uma equipa, um trio unido. Discutimos, ralhamos, mas estamos sempre lá umas para as outras.
Espero que para sempre.
Com elas, com o meu chatinho, a filha dele e a gata, construí um mundo que me protege de tudo.
Tenho uma família, que pode não ser típica, mas que é a que eu escolhi.
A que eu amo e que me ama incondicionalmente.
A minha família!
Tenho mesmo a certeza de que não.
Se fossemos eu seria uma pessoínha horrível.
Uma mulher fria, seca e mal-amada.
Uma mãe distante e desligada.
Uma amiga que ninguém quereria ter.
E felizmente não sou.
Às vezes quando estou a ver alguns programas na televisão em que as pessoas se desculpam das suas atitudes com os maus tratos da infância e a falta de carinho que tiveram, apetece-me imenso abaná-las até lhes cairem os dentes.
A sério?
Nunca tiveram amor e por isso também não o têm para dar?
Não me venham com tretas.
Faz parte do nosso percurso como seres humanos crescer e melhorar.
Esta gente nunca ouviu dizer que o que não nos mata nos torna mais fortes?
Então só porque nos maltrataram também temos que maltratar?
Porquê? Para nos vingarmos? De quem nos maltratou ou de quem sofre com os nossos maus tratos?
Era bonito eu agora começar a massacrar as minhas filhas só porque me massacraram a mim.
Lembro-me muitas vezes de uma frase que me dizia a minha mãe na infância:
- Quando fores mãe vais perceber...
Já fui mãe há quase vinte anos e cada vez percebo menos as atitudes dela.
Porque antes de ser mãe já amava as minhas filhas e o meu propósito enquanto mãe é que elas sejam felizes.
Que sejam mulheres justas, equilibradas, responsáveis, bem formadas. E acima de tudo que respeitem os outros. Que não pisem ninguém para atingir os seus objectivos.
E tenho um propósito mais secreto.
Quero que quando falem de mim, tenham orgulho de serem minhas filhas.
Que me considerem a melhor mãe que poderiam ter tido. Que me respeitem sempre.
E que quando forem mães o seu papel junto dos filhos me tenham como modelo.
Quero ser um MODELO para as minhas filhas.
Quero que continuem as tradições de Natal, Páscoa, aniversários e todas as outras que são nossas e que começaram comigo e com elas.
Quero que se lembrem de mim quando embrulharem os presentes de Natal todos iguais, para a árvore de Natal ficar bonita.
Quero que se lembrem de mim quando decidirem que o amarelo é a cor que combina mais com a Páscoa.
Quero que se lembrem de mim quando fizerem os bolos de aniversários dos filhos. E lhes planearem as festas.
Quero que se lembrem de mim quando os obrigarem a vestir-se de uma cor que combine com a decoração de Natal desse ano.
Quero que se lembrem de mim como uma pessoa importante na vida delas e que, mesmo depois de já não estar fisicamente, continue a ser recordada com carinho.
As minhas filhas são o meu orgulho.
Um orgulho muito grande.
Somos uma equipa, um trio unido. Discutimos, ralhamos, mas estamos sempre lá umas para as outras.
Espero que para sempre.
Com elas, com o meu chatinho, a filha dele e a gata, construí um mundo que me protege de tudo.
Tenho uma família, que pode não ser típica, mas que é a que eu escolhi.
A que eu amo e que me ama incondicionalmente.
A minha família!
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